Denúncia de Instrumentalização Policial
O presidente do PSD no Rio, deputado federal Pedro Paulo, manifestou sua indignação após a prisão do vereador Salvino Oliveira, também do PSD, durante a Operação Contenção Red Legacy. Esta operação foi desencadeada pela Polícia Civil do Estado do Rio com o objetivo de desmantelar a estrutura do Comando Vermelho (CV). Pedro Paulo já solicitou uma audiência urgente com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, para discutir o caso e acusar a utilização da polícia para fins políticos. A informação sobre a prisão do vereador foi divulgada pela coluna de Lauro Jardim.
Segundo o deputado, a ação é apenas uma das estratégias que o partido está adotando para contestar a detenção de Salvino. “Formalizei, junto a outros parlamentares, o pedido de audiência com o diretor-geral da Polícia e com o relator da ADPF, o ministro Alexandre de Moraes. Solicitei que fosse realizada imediatamente para que possamos entender o que está acontecendo aqui no Rio de Janeiro. Existe uma máfia que está usando a polícia para perseguir adversários”, afirmou.
Falta de Provas e Perseguição Política
Pedro Paulo argumenta que não existem evidências que justifiquem a prisão de Salvino, afirmando que a detenção se baseia apenas em suposições. “Não há nenhuma prova contra ele, exceto o fato de viver em uma comunidade e uma conversa entre terceiros que mencionou o nome de Salvino, sem que haja qualquer contextualização. Vamos continuar lutando para responsabilizar todos os envolvidos nessa prisão, pois o que está ocorrendo é alarmante e reminiscentes de práticas mafiosas”, declarou.
O jornal O GLOBO tentou entrar em contato com o governo do Estado e a Polícia Civil do Rio, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
A Intensificação do Conflito Político
A prisão de Salvino Oliveira acirrou as tensões políticas entre o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e o governador Cláudio Castro (PL). Castro compartilhou em suas redes sociais um vídeo da detenção do vereador em sua residência, afirmando que a ‘Polícia Civil prendeu o braço direto do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio’.
Em resposta, Paes utilizou a mesma plataforma para reiterar sua posição, afirmando: “Eu e o governador somos muito diferentes. Aqui não há omissão nem conivência. Se houver qualquer ilegalidade e se as provas ligarem o vereador Salvino a esses criminosos, serei o primeiro a condená-lo. Diferentemente do que o governador Cláudio Castro fez em relação aos seus aliados que também foram presos”.
Críticas e Reflexões Sobre o Sistema de Segurança
Esse embate verbal entre Paes e Castro aconteceu poucos dias após o prefeito criticar publicamente a prisão de vários integrantes do governo estadual por supostas conexões com o crime organizado. Essa crítica veio logo após uma operação da Polícia Federal que resultou na prisão do ex-subsecretário estadual, Alessandro Pitombeira Carracena, por suspeitas de envolvimento com atividades ilícitas. Paes, que é pré-candidato ao governo do estado, ainda destacou que houve secretários envolvidos em negociações com traficantes e que já foram registradas várias prisões vinculadas ao crime organizado.
Surpreendentemente, um dia antes de ser detido, Salvino havia usado a tribuna da Câmara Municipal para afirmar que “quem estiver errado e envolvido em escândalos, deve arcar com as consequências”. Na ocasião, ele criticou a prisão de ex-secretários do governo estadual que foram investigados por suas ligações com o Comando Vermelho.
Investigações em Curso e Acusações de Corrupção
Além de Salvino, a operação resultou na prisão de seis policiais militares sob a acusação de vender informações ao tráfico e de negociar a liberação de eventos em comunidades. De acordo com a polícia, o vereador teria recebido autorização do chefe do CV no Rio, Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca, para realizar campanha na Gardênia. Como prova, os agentes apresentaram a transcrição de uma conversa entre Doca e um interlocutor que questionava sobre o apoio ao vereador. A polícia, no entanto, não revelou a resposta de Doca.
O secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, enfatizou que Salvino não teria a capacidade de acessar a comunidade sem a permissão de líderes criminosos, o que levanta questões sobre a liberdade de atuação política nas áreas dominadas pelo tráfico.
Outras Denúncias e Ações da Polícia
Os investigadores alegam que o vereador também favoreceu grupos criminosos ao emitir licenças para quiosques na Gardênia, mas não apresentaram provas concretas. A prefeitura instalou cem barracas na comunidade, levando à suspeita de que comerciantes estivessem sendo escolhidos pela facção, sem o devido processo público.
Em abril do ano passado, o delegado Brenno Carnevale, então secretário municipal de Ordem Pública, denunciou que as licenças foram concedidas de forma irregular, o que refuta as alegações de interferência política ou criminosa nas atividades comerciais da região.
O ex-deputado TH Jóias, que tinha forte influência nas favelas da Zona Sudoeste, foi preso no ano passado por vazar informações à facção criminosa. Essas interações culminaram posteriormente na detenção do deputado Rodrigo Bacellar (União), que hoje se encontra em liberdade, mas sob monitoramento eletrônico.
Desmentido de Acusações
Em entrevista à TV Globo, Salvino negou qualquer ligação com o homem conhecido como Doca, afirmando: “Absolutamente não”. Ele também se desvinculou de quaisquer responsabilidades relacionadas à instalação dos quiosques na Gardênia Azul.
O delegado Vinícius Miranda, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado, destacou que a investigação ainda está em fase inicial e que a prisão temporária do vereador visa aprofundar as apurações: “Os indícios coletados foram enviados à Justiça, que avaliou necessário a prisão para avançar nas investigações. Por meio das buscas, esperamos descobrir a extensão da participação dele nesse esquema”. A assessoria de Salvino divulgou uma nota em que repudia as acusações, descrevendo-as como baseadas em uma narrativa sem provas, destinada a denegrir sua imagem. Nascido e criado na Cidade de Deus, o vereador está em seu primeiro mandato.

