Movimentos Estratégicos na Alerj e Impacto das Eleições
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), agendou para esta segunda-feira um evento em que anunciará sua renúncia, pouco antes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar um julgamento significativo que pode resultar em sua cassação e inelegibilidade. Essa decisão de Castro não apenas marca um ponto crucial em sua trajetória política, mas também abre uma janela decisiva para a sucessão no estado. O julgamento no TSE pode ter repercussões diretas sobre a liderança da Assembleia Legislativa (Alerj), enquanto aliados e opositores do governo aguardam ansiosamente uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as regras para a eleição de um possível sucessor de Castro. A renúncia também intensifica o confronto entre Castro e o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que o acusou de estar “fugindo da justiça”.
Paes, que deixou a prefeitura na última sexta-feira, está se preparando para ser o candidato de oposição na corrida pelo governo, marcada para outubro. Ambos os políticos estão em movimento estratégico para se posicionar diante das três eleições extraordinárias que podem ocorrer na Alerj em abril. O foco está na escolha de um “governador-tampão”, um novo presidente da Alerj e um novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), todas decisões que influenciam diretamente o cenário eleitoral no Rio.
Desdobramentos Necessários para a Alerj
A saída de Castro força os 70 deputados estaduais da Alerj a elegerem um “governador-tampão” no exato intervalo de um mês após sua renúncia. Este novo líder temporário irá concluir o mandato de Castro, que se encerraria em dezembro deste ano. O governador, que almeja concorrer ao Senado, só poderia permanecer no cargo até o início de abril para se adequar ao prazo de desincompatibilização antes das eleições, que é de seis meses.
Fontes próximas ao governador indicam que a decisão de renunciar antecipadamente foi impulsionada pela iminência da retomada do julgamento do caso Ceperj, no TSE, que já conta com dois votos favoráveis à condenação de Castro por abuso de poder político e econômico. O tribunal vai reanalisar o caso amanhã, e uma decisão desfavorável poderá resultar na cassação do cargo de Castro. O ex-governador espera que a Justiça Eleitoral considere a renúncia como o fim do processo, na esperança de evitar uma inelegibilidade de oito anos — no entanto, alguns juristas já alertam que ele ainda pode enfrentar consequências legais.
Reações e Consequências Políticas
O convite enviado por Castro a seus aliados para a cerimônia de “encerramento do mandato” será realizado nesta segunda à tarde, no Palácio Guanabara. Recentemente, o governador exonerou diversos secretários que se preparam para concorrer nas eleições deste ano, incluindo Douglas Ruas (PL), que havia sido apontado como seu sucessor.
Ruas, que é o candidato do PL ao governo nas próximas eleições, também havia sido endossado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para assumir o mandato-tampão que será aberto com a saída de Castro. Contudo, esse projeto foi frustrado por uma decisão do ministro do STF, Luiz Fux, que determinou que os candidatos precisam se desincompatibilizar de cargos executivos seis meses antes das eleições, o mesmo prazo requerido para eleições convencionais.
Apoio para Alternativas e Novas Candidaturas
A decisão de Fux atendeu a um pedido do PSD, partido de Paes, que questionou a possibilidade de a Alerj ter estabelecido um prazo de apenas 24 horas após a renúncia de Castro para essa desincompatibilização. Além disso, Fux também determinou que a eleição indireta ocorra por voto secreto, e o STF ainda deve deliberar nesta semana se mantém essa decisão.
Esse cenário desorganiza a base de apoio de Castro e fortalece a articulação de Paes para uma candidatura alternativa ao mandato-tampão, especialmente com a possibilidade de traições entre os aliados do governo. O ex-prefeito analisa a viabilidade de apoiar o deputado estadual Chico Machado (Solidariedade), que é um dos principais aliados de Rodrigo Bacellar (União), presidente afastado da Alerj, acusado por Paes de estar envolvido em práticas questionáveis.
“Nosso grupo, alinhado com Paes e Lula, precisa garantir uma maioria na Assembleia para seguir nosso plano de moralização do Rio. O nosso verdadeiro adversário é o grupo de Castro e Ruas. Precisamos isolar o bolsonarismo”, destacou Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT.
Bacellar, que também será avaliado pelo TSE no mesmo julgamento do caso Ceperj, tentará mostrar sua força nesta segunda-feira, data da renúncia de Castro. Fontes indicam que ele convocou deputados para um almoço em Teresópolis, na região serrana do Rio, com o intuito de demonstrar que, apesar de sua vulnerabilidade devido a investigações, ainda consegue mobilizar uma quantidade significativa de apoio.
Novas Propostas para o TCE
Em caso de uma possível cassação de Bacellar pelo TSE, os deputados estaduais terão que eleger um novo presidente da Alerj dentro de um intervalo de cinco sessões que pode se concluir até a primeira semana de abril. Nesse cenário, as regras serão diferentes do mandato-tampão, pois a votação será aberta, permitindo que qualquer deputado, inclusive Douglas Ruas, possa se candidatar.
Se Ruas for eleito, ele assumirá a liderança do governo no processo de escolha do novo conselheiro para o TCE, o que pode aumentar sua influência. Por outro lado, aliados de Paes estão considerando lançar o deputado Rosenverg Reis (MDB) como candidato à presidência da Alerj, aproveitando sua conexão com a política local e sua rivalidade com Bacellar.

