A Força da Obra de Djanira em Destaque
A relevância da obra de Djanira, uma figura essencial do modernismo brasileiro, continua a se fazer sentir com intensidade no panorama cultural do país. Recentemente, a exposição ‘Djanira – 110 anos’, realizada na Pinakotheke Cultural, em Botafogo, foi um verdadeiro sucesso, atraindo uma média de 250 visitantes diariamente durante toda a sua temporada, conforme revelado pelo galerista Max Perlingeiro, curador do evento, em colaboração com a crítica e pesquisadora de arte, Fernanda Lopes.
Além de sua atuação como pintora, Djanira se destacou como desenhista, ilustradora, cartazista, cenógrafa e gravadora. Sua obra ‘Crianças Kanelas’ (1960, óleo sobre tela, 130 x 97 cm) foi uma das escolhidas para integrar o projeto ‘Museu a céu aberto’, que visa levar arte aos pontos de ônibus da capital carioca, uma iniciativa promovida pela ArtRio – Feira de Arte do Rio.
Reconhecimento Contemporâneo
Apesar de já se terem passado 46 anos desde sua morte, Djanira permanece uma artista atual. A marca de moda Marina Bitu dedicou sua coleção integral à artista na São Paulo Fashion Week 2025, gerando grande repercussão tanto entre o público quanto entre críticos de arte. Além disso, a artista foi homenageada no CARDE – Museu de Arte & Design, em Campos do Jordão, por meio da mostra ‘Djanira: o Brasil em pintura’.
Trabalhos de Djanira também foram selecionados para a mostra ‘100 anos de arte: Gilberto Chateaubriand’, que destaca o acervo do respeitado colecionador, grande admirador da artista. Adicionalmente, sua obra integrou uma individual que celebrou a artista Beatriz Milhazes, onde Djanira participou com três pinturas pertencentes à coleção da Casa Roberto Marinho.
A Perspectiva do Instituto Pintora Djanira
Eduardo Taulois, diretor do Instituto Pintora Djanira (IPD), comentou sobre o legado da artista: ‘Djanira da Motta e Silva aborda em sua obra questões que continuam extremamente relevantes, como a cultura popular brasileira e um olhar carinhoso sobre as diversas religiões do país, seus trabalhadores e festividades. Ela foi uma artista de grande comprometimento, que percorreu o Brasil, conhecendo de perto as realidades das pessoas’.
O diretor enfatiza ainda a importância de sua produção: ‘É fascinante pensar que uma mulher, em meio a tantas dificuldades e em um ambiente predominantemente masculino, conseguiu criar uma obra tão significativa e diversa, que discute temas atuais como identidade cultural e memória social’.
O Papel do IPD na Valorização da Artista
A morte de Djanira, ocorrida em 1979, gerou uma diminuição na sua presença no debate cultural, um quadro que começou a mudar a partir de 2019, com a exposição ‘Djanira: a memória de seu povo’, realizada pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP). O IPD tem desempenhado um papel crucial na revalorização da obra da artista no mercado contemporâneo.
O instituto, que é sem fins lucrativos, se dedica à preservação e organização do acervo documental de Djanira, além de promover debates e pesquisas acadêmicas sobre sua obra. Outra importante função da entidade é a autenticação das obras atribuídas a Djanira, uma vez que muitos trabalhos foram falsificados ao longo de sua carreira.
Perspectivas Futuras para o Acervo da Artista
Embora Djanira tenha expressado o desejo de ter um museu físico para abrigar sua obra, os fundadores do IPD optaram por um formato digital. Através de uma plataforma online, o instituto oferece um catálogo digital, documentos, cronologia e conteúdos curatoriais. Atualmente, o acervo do IPD conta com cerca de 200 itens, entre obras, fotografias e documentos, resultado de parcerias com instituições públicas e privadas, utilizando Leis de Incentivo à Cultura e doações diretas.
Agora, o IPD está finalizando a segunda fase de um projeto que visa ampliar o banco de dados da artista, incorporando obras de acervos institucionais e coleções particulares. Esta etapa demandará pesquisas documentais, verificação de procedência, mapeamento de obras dispersas e a criação de protocolos técnicos para catalogação e digitalização. O objetivo é documentar cerca de 800 novas obras, aumentando consideravelmente o conhecimento sobre a produção de Djanira da Motta e Silva.

