Transformando Rotinas com Música e Arte
A primeira Semana de Cultura no Sistema Prisional do Rio de Janeiro teve início nesta terça-feira, dia 7, trazendo uma nova dinâmica às unidades prisionais e espaços culturais do estado. No Presídio Djanira de Oliveira, localizado em Gericinó, o som dos versos da cantora Marília Mendonça ressoou durante as apresentações do projeto Voz da Liberdade. Enquanto isso, no Presídio Inspetor Luís Cesar Fernandes Bandeira Duarte, em Resende, filmes da Mostra de Cinema e Direitos Humanos foram exibidos, além de obras em madeira produzidas pelos internos. O evento foi oficialmente aberto pela Fundação Biblioteca Nacional, que promoveu debates sobre a relevância da cultura na vivência de quem está privado de liberdade.
Este evento, que é pioneiro e será replicado em outras regiões do Brasil, faz parte dos Horizontes Culturais – uma estratégia do plano Pena Justa, que visa levar arte e cultura para aqueles que estão em instituições prisionais. O programa será formalmente lançado no dia 10 de abril, contando com a presença do presidente do CNJ, Ministro Edson Fachin.
Durante a abertura, o juiz Luís Lanfredi, que coordena o Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, destacou a importância dessa iniciativa. “Estamos aqui para desafiar um modelo que se mostrou ineficaz, que não oferece mais tranquilidade”, afirmou. Para ele, a arte e a cultura são ferramentas poderosas contra a desigualdade e a desumanização.
A desembargadora Maria Angélica Guimarães Guerra Guedes, do Tribunal de Justiça do Rio, também se pronunciou, relacionando a iniciativa com a obrigação do Judiciário em assegurar os direitos constitucionais. “Esse projeto é fundamental para fortalecer nossa atuação. Ele reforça a força do estado, da cultura e a possibilidade de transformação do indivíduo”, disse, enfatizando que um histórico difícil não determina um futuro sem esperanças.

