Um Jogo que Deixou Marcas
Na última terça-feira, duas pessoas me questionaram simultaneamente sobre o emocionante duelo entre Paris Saint-Germain e Bayern de Munique. Eram funcionários da portaria dos Estúdios Globo, onde eu estava gravando vídeos promocionais para a Copa do Mundo no SporTV. Embora não tivessem conseguido assistir à partida, estavam cientes do resultado e já possuíam suas opiniões formadas. Sem me dar conta de que se tratava de uma disputa, respondi de forma sincera: ‘Jogaço. Se bobear, os gols ainda estão saindo, mesmo após o apito final.’
Uma das reações foi entusiástica: ‘Não falei? É muito craque junto!’ Já a outra pessoa, que me recebeu com um sorriso caloroso, parecia desapontada: ‘Não acredito. Um jogo com nove gols só pode ser pelada.’ Pensei em ressaltar que um jogo entre Santos e Flamengo, que também terminou em um placar de 9 a 0, é até hoje lembrado como uma das melhores partidas da história do Campeonato Brasileiro. Mas não houve tempo, pois logo os dois começaram a se provocar: ‘Você gosta é de zero a zero, né?’ e ‘Nem na várzea se toma tanto gol assim…’. E assim, o carrinho elétrico chegou para me levar embora.
O Impacto das críticas e Comparações
No dia seguinte, enquanto lia críticas direcionadas aos sistemas defensivos de ambos os times, assisti ao emocionante confronto entre Atlético de Madrid e Arsenal, outra semifinal da Liga dos Campeões da Europa. Confesso que senti saudades da partida do dia anterior ao olhar para a tela do meu celular. Entre gravações, discutíamos com os colegas qual streaming oferecia menos atraso, enquanto os gols surgiam um após o outro: ‘Já está 3 a 1? Para mim, ainda está no replay do segundo!’
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Embora o número de craques em campo fosse menor do que na véspera, havia talento suficiente para algo além de um empate, que se concretizou com um pênalti para cada lado. No entanto, o contraste mais marcante se deu na terça à noite, quando a bola foi maltratada nos jogos da Libertadores e da Sul-Americana. Essa última, especialmente para os clubes brasileiros, é muitas vezes vista como uma competição secundária, disputada sem a real intenção de vencer.
A Realidade do futebol Sul-Americano
O que o Boca Juniors apresentou no Mineirão, em sua partida contra o Cruzeiro, foi de dar arrepios. Considerando que o Boca é a maior esperança do futebol argentino para conquistar um título que se distanciou desde 2019, sua atuação poderia ser tachada de lesa-futebol. O time pareceu optar por não jogar, intensificando essa opção após a expulsão de um jogador e voltando para casa com uma derrota, além de um torcedor preso por racismo, um crime que é muito mais do que um problema esportivo.
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Na quarta-feira, ofensas racistas voltaram a ser notícia, desta vez no jogo entre Estudiantes e Flamengo. O time argentino recorreu a estratégias nada convencionais, contando até com a conivência da arbitragem para buscar um empate. O Cerro Porteño limitou as dimensões do campo para dificultar o ataque do Palmeiras, sem informar à Conmebol, que se manifestou apenas no dia seguinte, com a mesma lentidão que vem demonstrando ao lidar com o racismo no esporte.
Reflexões sobre o Futebol Atual
Alguns afirmam que essas ações representam o chamado ‘futebol raiz’, uma perspectiva que parece ter encontrado suporte entre jovens torcedores nas redes sociais. Outros acreditam que tudo se resume a dinheiro: apenas clubes com grandes recursos podem se dar ao luxo de jogar de forma competitiva. Para mim, a verdadeira disputa é entre a vontade de ganhar e a busca pela diversão — e me preocupa que este equilíbrio esteja se perdendo no cenário atual do futebol.

