O Impacto da Cultura na economia carioca
No último sábado, dia 2, a cidade do Rio de Janeiro deu início ao terceiro ano do projeto “Todo Mundo no Rio” com um show da renomada artista Shakira. Esta iniciativa da Prefeitura do Rio, que promove apresentações gratuitas de grandes nomes da música pop nas areias de Copacabana, começou em 2024, quando Madonna estreou o projeto. Desde então, a série de eventos se consolidou como um elemento essencial do calendário cultural carioca, atraindo não apenas moradores, mas também turistas de diversas partes do mundo.
A expectativa do governo municipal é que a edição de 2026, com um investimento de R$ 20 milhões, gere um impacto econômico de R$ 800 milhões na economia da cidade. Este valor está alinhado com os resultados obtidos em edições passadas, como o show da Lady Gaga em maio de 2025, que trouxe mais de R$ 600 milhões para a capital fluminense e atraiu cerca de 500 mil visitantes, superando a expectativa de 240 mil turistas.
Cultura e Turismo: Uma Dupla Poderosa
Os eventos promovidos por “Todo Mundo no Rio” não são apenas uma oportunidade de diversão. Somados, os shows de Madonna e Lady Gaga resultaram em aproximadamente US$ 500 milhões em mídia espontânea internacional. Para o show da Shakira, a expectativa é que a visibilidade alcance cerca de US$ 250 milhões adicionais. Esses números são indicativos de como a cultura pode impulsionar a economia local.
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No último ano, o Rio arrecadou R$ 66,8 milhões em impostos relacionados a serviços do setor de turismo e eventos, representando uma expansão de 23,2% em comparação com maio de 2023, que foi o último ano sem a realização de shows na praia.
O Futuro do Todo Mundo no Rio
Em recente anúncio, o prefeito Eduardo Cavaliere confirmou que o projeto “Todo Mundo no Rio” seguirá até 2028. Para o secretário de Cultura, Lucas Padilha, a manutenção desse formato no calendário cultural é o que distingue a iniciativa de um evento isolado. “O Todo Mundo no Rio se tornou um ícone, e a movimentação econômica gerada é justificativa suficiente para o investimento da prefeitura”, declarou em entrevista à EXAME.
Os dados do turismo em 2025 mostram que o Rio recebeu 12,5 milhões de visitantes, um crescimento de 10,5% em relação ao ano anterior, com um impacto estimado de R$ 27,5 bilhões na economia local. Além dos shows, o Carnaval também se destaca, tendo movimentado R$ 5,9 bilhões em 2026, o que representa 41,5% do total de serviços na cidade durante o período.
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Desafios e Oportunidades no Setor Cultural
O subsecretário de Desenvolvimento Econômico, Marcel Grilo Balassiano, enfatiza que o Rio não apenas sabe realizar grandes festas, mas também transformar isso em oportunidades de negócios. Ele cita o exemplo do WebSummit, o maior evento de tecnologia do mundo, que foi realizado na cidade em 2023 e teve o contrato renovado até 2030, afirmando que isso demonstra que a estratégia de trazer grandes eventos vai além do entretenimento.
Isis Grossi, empresária do setor de turismo, acredita que o atual cenário não é um fenômeno passageiro. Segundo ela, a mudança na percepção das pessoas após a pandemia contribui para o crescimento contínuo da cena cultural, impulsionada por shows internacionais e uma cena gastronômica em expansão. O pesquisador Leonardo Morel, da ESPM-RJ, também vê este momento sob uma perspectiva estrutural, destacando a importância de políticas de longo prazo que transcendam os ciclos eleitorais.
Apoio à Cultura: Editais e Fomento
Enquanto “Todo Mundo no Rio” atrai holofotes, a Secretaria Municipal de Cultura está implementando uma política de fomento que ela classifica como a mais abrangente da história do município. Em 2026, o Rio foi pioneiro ao lançar um edital do segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc, destinando mais de R$ 38 milhões para o setor. Este edital inclui, pela primeira vez, categorias específicas para cultura hip-hop e slam.
Simultaneamente, a prefeitura abriu inscrições para o Edital do Produtor Cultural 03/2026, que prevê R$ 91,8 milhões para a execução de projetos a partir de 2027, e um terceiro edital destina R$ 14 milhões para fortalecer instituições culturais. A diferenciação entre o financiamento de obras e o apoio contínuo a instituições é uma estratégia que busca garantir a sustentabilidade do setor.
Olhando para o Futuro
Em perspectiva de longo prazo, a Secretaria de Cultura planeja estruturar uma rede com 100 instituições até 2028, além de iniciar iniciativas voltadas à preservação do patrimônio histórico. Em um cenário que ainda apresenta incertezas, especialmente com o fim do ISS previsto para 2030, o desafio será garantir que os recursos para a cultura permaneçam robustos e diversificados. A necessidade de políticas de fomento à exportação da cultura brasileira é uma questão que precisa ser abordada, para que o país possa superar barreiras e apresentar ao mundo a riqueza de sua diversidade cultural.

