Festival literário aquece a cena cultural de Niterói
A Festa Literária Internacional de Niterói (Flin) voltou a atrair milhares de pessoas que circulam pelos espaços da Reserva Cultural e da Sala Nelson Pereira dos Santos, ambos localizados no bairro São Domingos. Desde a última quinta-feira, o evento oferece uma programação rica em debates, leituras e atrações musicais, consolidando-se como um dos principais pontos de encontro para amantes da literatura e da cultura na cidade.
Durante o fim de semana, a programação mantém o ritmo intenso. No sábado (15), nomes como Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Marcelo Adnet, Teresa Cristina, Luiz Antonio Simas e Fabrício Carpinejar sobem ao palco para participar de mesas e apresentações que exploram a oralidade, a cultura popular e o afeto. No domingo (16), a festa encerra com a participação especial do rapper Emicida e da atriz Fernanda Torres, que apresenta uma leitura seguida de bate-papo com o público às 17h30.
Mais que um festival: espaço para diálogo e memória
Realizada pela prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN), a terceira edição da Flin é gratuita e espera reunir cerca de 30 mil pessoas ao longo de seus quatro dias. O evento promove encontros entre escritores, artistas e leitores em uma série de atividades que incluem lançamentos de livros, sessões de cinema, oficinas, saraus e apresentações musicais, além de ações voltadas para crianças e jovens.
A jornalista e escritora Miriam Leitão participou da abertura e destacou o clima acolhedor e o interesse do público pelos temas abordados. “A Flin é uma feira que já começou sendo bem-sucedida e tem que continuar. Niterói merece esse ambiente de livros”, afirmou. Por sua vez, o escritor angolano Ondjaki refletiu sobre o papel da literatura na construção da memória e da liberdade, ressaltando sua importância para crianças e adultos.
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Fonte: omanauense.com.br
Convidados internacionais e homenagens
Entre os destaques internacionais da programação, o escritor português Valter Hugo Mãe marcou presença em Niterói pela segunda vez, 26 anos após sua primeira visita. Para ele, a Flin representa um convite especial para revisitar a cidade, evocando memórias de infância e reafirmando o valor do evento: “Estou muito honrado de participar”, declarou.
Além disso, a programação homenageia a antropóloga, filósofa e ativista Lélia Gonzalez (1935-1994), cuja obra inspira o tema “Territórios das palavras”. O foco está em discutir literatura, memória, identidade, relações raciais, educação, cultura popular e democracia, temas que ganham destaque nas mesas e debates.
Programação do fim de semana em destaque
Entre as atividades de sábado, a mesa “Escreviventes” reúne Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz para uma conversa sobre oralidade e o registro de vozes na literatura brasileira. O dia também inclui o encontro “Elas compõem o Brasil”, com Fátima Guedes e Teresa Cristina, além de discussões sobre a rua como território cultural com Luiz Antonio Simas e reflexões sobre afeto com Fabrício Carpinejar.
À noite, a programação traz o humor e a música à mesa com Marcelo Adnet, Edu Krieger e Natalia Voss, seguidos pela Batalha do Conhecimento, que reúne MC Marechal e Leall para uma disputa de rimas sociais e políticas. No domingo, Fabiana Karla participa de um debate sobre o riso e a mulher, e Emicida compartilha sua visão sobre origem e identidade na conversa “De onde cê vem?”.
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O psicanalista Christian Dunker discute sentimentos difíceis na contemporaneidade na mesa “Sentir e Assimilar”. Para encerrar, Fernanda Torres apresenta uma leitura do primeiro capítulo de seu livro “A glória e seu cortejo de horrores”, seguida por um bate-papo com o público na Sala Nelson Pereira dos Santos.
Fortalecimento da cena literária local
A Flin ampliou a participação de autores e editoras de Niterói nesta edição. Jordão Pablo de Pão, curador e diretor da Niterói Livros, destaca a presença de mais de 250 escritores e 13 editoras locais, reforçando o compromisso com a democratização do acesso à leitura. A colaboração com instituições como a Academia Brasileira de Letras, a Biblioteca Nacional e a Universidade Federal Fluminense (UFF) também contribui para o fortalecimento do evento.
Recursos de acessibilidade, como tradução em Libras e audiodescrição, complementam a programação, que inclui ainda iniciativas para formação de leitores e atividades para estudantes da rede pública. Para detalhes sobre horários e distribuição de senhas, o público pode acompanhar o perfil oficial do evento no Instagram (@flinoficial).

