Talita Galhardo e a busca por mais mulheres no Congresso
Talita Galhardo (PSDB), número 4501, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro, apresenta sua campanha como um esforço para aumentar a participação feminina no Congresso Nacional. Vereadora da capital, ela reúne propostas voltadas para o atendimento a vítimas de violência, mudanças na legislação penal e traz à tona um episódio emblemático de sua trajetória: a saída da Subprefeitura após um confronto com o então prefeito Eduardo Paes, que considerou desrespeitoso.
Ao confirmar sua candidatura ao DIÁRIO DO RIO, em maio, Talita destacou o apoio que recebe de mulheres cariocas dispostas a ter sua voz representada em Brasília. Ela aponta para a histórica sub-representação feminina nos espaços de decisão como um dos principais motivadores da sua campanha. “Mulheres sempre ocupam menos de 20% dos parlamentos”, afirmou, defendendo a ampliação dessa representação.
Conflito na Subprefeitura e decisão de deixar o cargo
Em abril de 2023, durante uma agenda na Gardênia Azul, o então prefeito Eduardo Paes interrompeu Talita enquanto ela tentava falar e a dispensou de forma brusca, afirmando: “Te mando embora daqui”. O episódio, registrado em vídeo e compartilhado nas redes sociais, foi classificado pelo DIÁRIO DO RIO como um tratamento machista.
Talita esperou o retorno de Paes de uma viagem à China para comunicar pessoalmente sua decisão de deixar o cargo na Subprefeitura. Ela explicou que a saída foi motivada pelo sentimento de desrespeito, tanto como servidora quanto como mulher. Em entrevistas posteriores, relacionou essa postura à defesa do empoderamento feminino, ressaltando a importância de estabelecer limites diante de situações de desrespeito.
Até então, mantinha proximidade política com o prefeito, que chegou a chamá-la de “Eduardo Paes de saias” em referência ao seu estilo de trabalho. A saída marcou uma mudança no posicionamento público de Talita, que passou a ser reconhecida pela firmeza e independência, apresentando o pedido de exoneração como uma decisão pessoal sobre o tratamento que estava disposta a aceitar.
Da nomeação ao mandato eleito
Após deixar a Prefeitura, Talita construiu sua candidatura própria e, em 2024, conquistou uma cadeira na Câmara Municipal do Rio com 20.352 votos. Essa trajetória fundamenta seu discurso atual, no qual destaca a transição de um cargo de nomeação para um mandato obtido pelo voto popular. Agora, dois anos depois da eleição para vereadora, direciona sua campanha para uma vaga na Câmara dos Deputados.
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Fonte: belembelem.com.br
Nas redes sociais, Talita mantém uma comunicação direta, associada por apoiadores ao termo “vereadora braba”. A atuação em operações, fiscalizações e cobranças a órgãos públicos reforça essa imagem, que ela procura levar para a campanha federal, mostrando disposição para enfrentar problemas e manter suas posições.
Segurança pública e representação feminina
Talita defende que a representação das mulheres no Congresso inclua temas como orçamento, infraestrutura, economia e legislação penal, com destaque para a segurança pública. Sem carreira policial, ela construiu experiência na gestão municipal e no Legislativo, defendendo maior rigor contra criminosos reincidentes, combate às organizações criminosas e recursos federais para ações de segurança.
Em sua candidatura, relaciona a disputa por uma vaga federal aos limites do mandato de vereadora. Para ela, mudanças no Código Penal, uma das suas principais bandeiras, só podem ser promovidas com atuação no Congresso Nacional.
Além disso, a candidata aborda questões urbanas como iluminação, conservação, fiscalização e presença do poder público nos espaços da cidade. Esses temas dialogam diretamente com a rotina das mulheres, que enfrentam assédio no transporte público, medo de circular à noite e violência em espaços públicos. Talita busca integrar essa discussão junto à defesa da ordem urbana e do combate ao crime.
Programa de apoio a vítimas de violência e políticas habitacionais
Entre as propostas voltadas às mulheres, destaca-se o Programa Municipal de Reconstrução de Vidas – Lei Juliana Garcia, apresentado por Talita. A iniciativa prevê assistência social, psicológica, habitacional e econômica para vítimas de violência doméstica e tentativa de feminicídio. O programa foi inspirado em Juliana Garcia, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, que Talita recebeu na Câmara Municipal.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
O foco da proposta está no período pós-violência, oferecendo suporte para que as sobreviventes possam reorganizar suas vidas com moradia, acompanhamento psicológico, renda e condições para retomar o trabalho. A ideia é criar uma rede de assistência integrada.
Outra iniciativa da vereadora é o projeto que prioriza mulheres nos programas habitacionais do Município do Rio, incluindo incentivo à contratação feminina e capacitação profissional. Essa proposta busca aproximar a política de moradia da discussão sobre autonomia, fundamental para mulheres que enfrentam violência doméstica e dependência econômica.
Talita também é coautora da proposta de criação do Dia Municipal de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio. A iniciativa reúne vereadoras de diferentes espectros políticos para preservar a memória das vítimas e dar atenção ao problema.
Na campanha, Talita Galhardo destaca a importância da presença feminina nas decisões sobre segurança, administração pública e legislação penal, combinando propostas concretas de proteção às vítimas com a luta por maior representatividade.
Talita Galhardo disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados pela Federação PSDB-Cidadania, com o número 4501.

