O Centro do Rio como palco da criação artística
Nos dias 18 e 19 de setembro, o coração do Rio de Janeiro se transforma em um espaço pulsante de arte com a estreia do Circuito de Ateliês do Centro. Com iniciativa de artistas locais, o projeto abre as portas de 45 ateliês, que abrigam cerca de 160 criadores contemporâneos, para o público durante a Semana de Arte do Rio e a ArtRio. A proposta vai além da simples visitação: convida o público a vivenciar os processos e pesquisas que geralmente ficam restritos ao cotidiano dos espaços de criação.
Uma rede que fortalece a circulação cultural
O circuito se apresenta como uma rede colaborativa que pretende estreitar as ligações entre os ateliês do Centro e ampliar a circulação das obras contemporâneas. Ao deslocar o público dos espaços tradicionais de exposição para o local onde a arte é concebida, o projeto cria encontros inéditos entre artistas, colecionadores, curadores e demais interessados. A idealizadora Fernanda Sattamini explica que a iniciativa nasceu da vontade espontânea dos artistas de criar uma rede que agora se materializa em um circuito organizado, capaz de aproximar o público da produção artística e abrir novas possibilidades para essa circulação.
Para Sattamini, o contato direto com o ateliê oferece uma experiência singular. “Lá, o público acompanha a obra em desenvolvimento, conhece o universo do artista e estabelece uma conexão direta com quem produz. Essa vivência difere das que ocorrem em feiras ou exposições, reduzindo distâncias entre criação e público”, comenta.
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Mapeando a diversidade artística do Centro
Os 45 ateliês participantes estão distribuídos por áreas variadas do Centro, incluindo Cinelândia, Castelo, Praça XV, Saúde, Saara e Lapa. Durante o evento, o público pode montar seu próprio roteiro para explorar os espaços que desejar. O mapa disponível no site circuitodeateliesdocentro.com.br facilita essa jornada, reunindo endereços e informações para que cada visitante descubra, no seu ritmo, a diversidade da produção contemporânea local.
A artista Caroline Valansi, envolvida no circuito, destaca o aspecto coletivo e o potencial da iniciativa se estender além dos dias de evento. “Vejo o Circuito como um coletivo com força para se consolidar e criar ações conjuntas, fortalecendo a produção artística do Centro como um organismo vivo e cada vez mais presente”, afirma.
Já Rafael Adorján enfatiza o poder da rede criada pelos artistas. “O Circuito revela a força de uma rede autônoma, capaz de construir seus próprios caminhos e ocupar o Centro com arte. É um movimento que une colaboração e independência, ampliando o espaço da arte contemporânea na cidade”, observa.
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Antecedentes e programação
O projeto ganhou visibilidade pública na segunda metade de agosto, com o pré-lançamento na Casa Proeza, que serviu como ponto de partida para visitas guiadas a mais de 15 ateliês da região. Também houve uma ação durante o ArtCore 2026, evento realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), no Parque do Flamengo.
Agora, em setembro, o Circuito abre oficialmente seus 45 ateliês para receber o público. Artistas renomados da cena contemporânea, como Caroline Valansi, Cibele Nogueira, Clara Machado, Daniel Frickmann, Daniel Murgel, Fernanda Sattamini, Gabriela Noujaim, Heleno Bernardi, Hildebranda, Maria Baigur, Nadam Guerra, Nuno Quinhões, Pedro Carneiro, Pedro Varela, Rafael Adorján e Ygor Landarim estarão presentes para compartilhar suas pesquisas e processos. O evento é uma oportunidade para conhecer não só onde a arte é exibida, mas onde ela realmente nasce.
Apoio institucional e perspectivas
O Circuito de Ateliês do Centro conta com o suporte da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, que reconhece a importância de fortalecer as redes locais de produção e circulação artística. A expectativa é que esse movimento se consolide como um ponto regular na agenda cultural da cidade, ampliando o acesso e o diálogo entre artistas e público.

