Visitas autorizadas a ex-prefeito em Bangu 8
A prefeita de Belford Roxo, Mariana Malta Monteiro, realizou duas visitas ao ex-prefeito Márcio Canella (União Brasil), atualmente detido preventivamente na oitava fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal. O esquema investigado envolve lavagem de dinheiro com movimentação superior a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. As visitas ocorreram no último sábado e domingo no presídio de segurança máxima Bangu 8, localizado no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Segundo os registros de entrada obtidos por O GLOBO, Mariana se identificou como advogada para obter autorização de visita. A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) confirmou que abriu um procedimento apuratório diante do caso e comunicou a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Contexto político e trajetórias
Mariana Malta assumiu a prefeitura de Belford Roxo em 3 de abril deste ano, após ser eleita vice-prefeita em 2024. Antes de chegar ao Executivo municipal, trabalhou por sete anos ao lado de Canella na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Formada em Direito, com pós-graduação concluída em 2016, a prefeita construiu sua carreira política em parceria com o ex-prefeito, que renunciou ao cargo no início de 2026 para disputar uma vaga no Senado, candidatura que abandonou posteriormente.
Leia também: Posto vinculado à investigação que prendeu Canella recebeu mais de R$ 37 milhões da Prefeitura de Belford Roxo
Leia também: Infiltração do Crime nas Eleições do Rio: Como Belford Roxo Se Tornou Epicentro da Disputa
A prisão de Canella ocorreu em 15 de outubro durante a oitava fase da investigação da Polícia Federal que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis para lavagem de dinheiro. Além dele, a operação também atingiu o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim e outros agentes públicos. A ordem de prisão preventiva foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Antecedentes e apuração em curso
Esta não foi a primeira detenção do ex-prefeito neste ano. Em julho, ele foi preso em flagrante após a Polícia Federal encontrar um fuzil de uso restrito no veículo que utilizava. Na ocasião, Canella alegou que a arma não lhe pertencia e ficou detido por quatro dias antes de ser liberado. A investigação sobre a rede de postos de combustíveis avançou, culminando na nova prisão em outubro.
Nos dois dias de visita, Mariana permaneceu cerca de uma hora com Canella. A Seppen afirmou que a prefeita apresentou comprovação de sua condição de advogada, o que autorizou a entrada pelos policiais penais. A Corregedoria da instituição instaurou procedimento para apurar o caso, que ainda está em andamento.
Leia também: Desfile Cívico na Estrada Aníbal da Mota reúne quase 2 mil alunos e valoriza a educação em Belford Roxo
Leia também: Secretaria de Educação celebra formatura histórica do Programa Brasil Alfabetizado em Belford Roxo
Exoneração no Detran e influência política
Em maio, o Detran-RJ exonerou Felipe Carvalho Rebelo da Silva, marido da prefeita, do cargo de diretor-geral da Diretoria de Administração e Finanças. No mesmo mês, ele foi nomeado para um cargo comissionado na Secretaria de Estado de Educação. Em outubro, o órgão registrou a programação de um pagamento de R$ 24,8 mil ao ex-diretor referente à Bonificação de Desempenho Individual do ciclo 01.2026, classificado como reconhecimento de dívida, com fim da cessão em junho.
A saída de Felipe do Detran ocorreu em meio a investigações da Polícia Federal sobre a influência política de Márcio Canella no departamento. Em julho, a corporação apurava se um policial militar cedido ao órgão trabalhava efetivamente no Detran ou fazia parte da escolta do então ex-prefeito. O Detran foi apontado como espaço de influência política de Canella. O policial responsável pela custódia do fuzil encontrado no carro do político foi exonerado do cargo comissionado e retornou à Polícia Militar.

