Conflitos Entre Poderes: A Luta de Jorge Messias na AGU
Enquanto busca articular sua aprovação ao Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias, atual advogado-geral da União, enfrenta um cenário político desafiador. O cancelamento da sabatina no Senado lhe concede tempo, mas as decisões que deverá tomar podem colocá-lo em rota de colisão com interesses do Congresso e da própria Corte. A situação é delicada, especialmente quando ele precisa do apoio dos senadores para avançar em sua trajetória na cúpula do Judiciário.
Um dos temas em destaque na gestão petista é a possível ação no STF para questionar a derrubada de vetos do presidente Lula à Lei Geral do Licenciamento Ambiental. Dos 63 vetos, impressionantes 56 foram revertidos no Congresso. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, já indicou que o governo está avaliando a judicialização dessa questão, que promete gerar controvérsias.
No entanto, até o momento, não há um consenso claro entre os assessores do presidente sobre essa estratégia. O Palácio do Planalto está calculando o impacto político de levar um assunto ao Supremo, especialmente em um momento em que a administração enfrenta crises em ambas as casas legislativas. Segundo integrantes do governo, a decisão será uma combinação de análise jurídica e política, considerando o nível de tensão existente com os congressistas.
Insegurança Jurídica e Riscos Políticos
A Advocacia-Geral da União (AGU), sob a liderança de Messias, é responsável por formalizar a ação no STF, caso o presidente decida seguir por esse caminho. O governo expressa preocupações de que a derrubada de alguns vetos possa resultar em insegurança jurídica para os empreendedores. Contudo, a estratégia é aguardar para ver quais pontos serão judicializados por partidos políticos e organizações não governamentais ambientais.
Um dos tópicos que pode ser levado ao STF é a anulação do veto que permite a implementação de diferentes tipos de licenças em municípios ou estados, o que, na prática, pode gerar uma diversidade de interpretações e exigências para autorização. O Executivo propõe uma regra nacional para evitar que haja concorrência entre as unidades da federação por investimentos.
Além disso, sob a gestão de Messias, a AGU se posicionou em relação a uma liminar do ministro Gilmar Mendes, que estipulou que apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) pode solicitar o impeachment de ministros do STF. Gilmar, antes de decidir, pediu um parecer da AGU, mas não obteve resposta imediata. Em resposta à polêmica gerada no Senado, que considerou a liminar uma invasão de competência, Messias optou por manifestar-se contra o despacho, pedindo ao ministro que reconsiderasse sua posição, como forma de fazer um gesto ao Legislativo.
Ao negar o pedido da AGU e reafirmar sua decisão, Gilmar Mendes lembrou que a manifestação de Messias não havia sido tempestiva. Posteriormente, ele avaliou um pedido do Senado e suspendeu parcialmente sua decisão anterior. Em outro episódio, a AGU enfrentou críticas do ministro Flávio Dino, que considerou um acordo realizado pela Advocacia “constrangedor” durante um julgamento no plenário.
Consequências nas Relações Institucionais
Aliados de Messias reconhecem que qualquer decisão que potencialmente agrave conflitos institucionais pode prejudicar suas articulações para assumir um cargo no STF. Nesse contexto, a AGU criou um grupo de trabalho para coordenar ações de responsabilização civil e administrativa relacionadas a irregularidades na execução de emendas parlamentares. Essa medida é uma resposta a uma determinação de Dino, no processo que discute a transparência nos repasses.
Por ordem do ministro, a AGU deve garantir a devolução aos cofres públicos de valores que foram indevidamente aplicados, seja em obras e serviços com problemas, em desvios para proveitos pessoais, ou em gastos com entidades inidôneas. As exigências de Dino em relação às emendas têm gerado descontentamento entre os parlamentares, que veem como uma intromissão nas prerrogativas do Congresso. Essa insatisfação tem reflexos diretos sobre Messias, uma vez que parte dos senadores teme que ele siga um caminho semelhante ao de seu antigo colega na Esplanada, caso seja nomeado para o STF.

