Superação e Determinação na Caminhada de Janderson
Desde muito jovem, Janderson soube que o caminho para se tornar jogador de futebol não seria fácil. Em sua infância, ele dedicava seu tempo a jogar bola e a estudar, sempre com o apoio incondicional de seus pais. No entanto, ao chegar na adolescência, com apenas 16 ou 17 anos, ele percebeu a realidade de que a carreira no esporte poderia ser um sonho distante. Assim, decidiu ajudar seus pais financeiramente. Com o desejo de ser independente e contribuir com a família, ele começou a vender doces nas ruas.
Janderson recorda dessa fase com clareza: “Meus pais não tinham condições de me dar dinheiro, então comecei a empreender. Eu andava bastante, comprando mercadorias no Mercadão de Madureira e, a pé, percorria várias localidades, como Campinho e Freguesia, sempre de olho nas vendas”. A rotina era intensa: ele conciliava o trabalho com os treinos de futebol em um time da Série C do Rio de Janeiro, o Ação. Após os treinos, pegava o trem até o Mercadão, comprava os doces e saia para vender em bares e restaurantes. Chegava a trabalhar das sete da manhã às seis da tarde, e era comum emprestar dinheiro para comprar novos produtos.
“Era cansativo, mas eu precisava. Cheguei a tirar cerca de cinco mil reais por mês nessa empreitada”, revela o atleta. Janderson ainda se lembrava das dificuldades e da resiliência: “Trabalhava de segunda a sexta, enquanto os finais de semana eram reservados para o lazer. Às vezes ouvia um não, o que desanimava, mas isso fazia parte do processo. Com o que ganhava, ajudava em casa e comprava roupas para meus irmãos”. Oito anos se passaram nesse ciclo de trabalho e sonhos, até que sua vida tomasse um novo rumo.
A Última Tentativa e Oportunidades no Futebol
A história de Janderson muda quando ele viaja para São José de Ribamar, no Maranhão, para participar do Campeonato Maranhense pelo São José, graças a seu empresário, que conheceu em 2019 durante os tempos de venda de doces. Antes, ele tinha tentado oportunidades em Angra dos Reis e Duque de Caxias, mas sem sucesso. “Quando voltei a vender, recebi a ligação do meu empresário com uma nova oportunidade. Orei e pedi a Deus: ‘Essa é a minha última tentativa’”, relembra.
Janderson se destacou no campeonato, tornando-se vice-artilheiro e atraindo a atenção do Bahia de Feira, onde marcou sete gols em 15 partidas pela Série D do Brasileirão. A partir daí, começaram a surgir propostas, e ele decidiu optar pelo sub-23 do Botafogo. “Sabia que era um passo atrás, mas tinha certeza de que iria subir para o profissional”, contou.
Com dedicação e esforço, ele finalmente teve a chance de brilhar. Participou do Brasileirão de Aspirantes, mas a equipe foi eliminada antes de sua estreia. Em um amistoso contra o Audax, ele fez três gols e chamou a atenção do técnico Luís Castro, que o promoveu para o time principal. “Foi uma alegria imensa. Ninguém acreditava que eu conseguiria e nem eu mesmo tinha certeza. Era a minha última chance e a vida mudou de uma hora para a outra”, disse Janderson, emocionado.
Valores e Contribuições para a Comunidade
Janderson reflete sobre sua trajetória e reconhece que, se não tivesse se tornado jogador, poderia ter feito escolhas erradas devido às dificuldades. “Sempre mantive a cabeça erguida e a mente focada. Deus me abençoou porque sempre procurei ser uma boa pessoa e ajudar os outros”, explica.
Além de enfrentar suas próprias batalhas, Janderson faz questão de retribuir à sua comunidade. Todo ano, ele organiza festas para as crianças, distribui ovos de Páscoa e cestas básicas. “Desde pequeno, sempre ajudei as pessoas ao meu redor. Hoje, posso ajudar minha comunidade e faço isso com muito carinho”, afirma.
Com a carreira em ascensão, Janderson também tem planos para o futuro. Ele deseja concluir seus estudos, já que parou no primeiro ano do ensino médio, e pretende ingressar em uma faculdade de educação física. “Quando parar de jogar, quero continuar ligado ao futebol de alguma forma”, finaliza, mostrando que sua história é um exemplo de superação e determinação.

