Desdobramentos da CPI do INSS
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS tem gerado um desgaste significativo nas candidaturas ao governo e ao Senado em Minas Gerais. A investigação, que envolve nomes proeminentes como o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o aliado Cleitinho, trouxe à tona questões delicadas sobre fraudes e conexões com ex-funcionários do INSS. A CPI, ao abordar essas relações, fez com que Euclydes e Cleitinho reconsiderassem suas estratégias de campanha, que incluíam uma chapa mista com Euclydes buscando uma vaga no Senado e Cleitinho almejando o governo. Contudo, a situação se complicou após menções na CPI e a subsequente operação da Polícia Federal, que investiga repasses de emendas e transações suspeitas de aeronaves ligadas a essas entidades.
Um ponto central da investigação é a venda de um avião Cessna, que Euclydes vendeu por R$ 400 mil em fevereiro de 2023. O comprador, Vinícius Ramos, é chefe da ONG Instituto Terra e Trabalho, que recebeu R$ 2,5 milhões em emendas do deputado. A relação entre Vinícius e Carlos Lopes, presidente da Conafer, complicada ainda mais a situação, uma vez que a entidade é investigada por operar fraudes. Euclydes, por sua vez, defende que a venda da aeronave foi legal e que não tem qualquer vínculo com as operações da Conafer.
Relações e Emendas
A situação é ainda mais complexa devido à proximidade entre Euclydes e Rômulo Gonçalves Júnior, um médico e empresário identificado como o verdadeiro dono da aeronave. Registros em redes sociais mostram que Rômulo visitou Euclydes e Cleitinho no Congresso, onde fez pedidos de emendas para o Hospital Samaritano em Governador Valadares, uma instituição da qual ele é presidente do conselho deliberativo. Informações revelam que Cleitinho alocou R$ 3,5 milhões para o hospital em 2024, enquanto Euclydes destinou R$ 5,8 milhões, o que levanta questões sobre a legitimidade das emendas e sua relação com as investigações da CPI.
Euclydes alegou que o avião foi repassado a Rômulo em 2021, antes de ser vendido para Vinícius. Em junho de 2025, a aeronave foi vendida por R$ 700 mil, quase o dobro do preço anterior, conforme os registros da Anac. A transação feita por Vinícius para Silas da Costa Vaz, que é apontado como laranja da Conafer, aprofundou ainda mais as investigações. Leandro de Almeida Lima Alves, ex-assessor de Euclydes, confirmou que atuou como piloto nos voos da aeronave, destacando que a relação entre ele, Euclydes e Vinícius era direta e envolvia a movimentação do avião entre diferentes proprietários.
Depoimentos e Convocações
Procurado para comentar, Euclydes reafirmou sua inocência e disse ter apresentado toda a documentação necessária à CPI. Ele também afirmou não saber se Rômulo tem alguma ligação com o Hospital Samaritano, mesmo tendo posado para fotos ao lado do médico. Cleitinho, em uma declaração, ressaltou que todas as investigações devem ser conduzidas com seriedade e que a inocência deve prevalecer até que se prove o contrário.
Outro aspecto relevante envolve o governador Zema, convocado para depor na CPI devido à atuação de uma empresa de sua família no oferecimento de crédito consignado a aposentados. O objetivo da comissão é verificar se houve descontos irregulares. O governador nega qualquer prática ilegal, mas a convocação, feita pela bancada do PT, gerou polêmica, especialmente com a aproximação das eleições.
Segundo informações apuradas, a relação entre Viana, presidente da CPI, e Zema permanece cordial, apesar da convocação. Com a CPI avançando, as lideranças políticas em Minas estão atentas ao desdobramento das investigações. Viana, que já teve um desempenho abaixo do esperado nas eleições de 2022, busca consolidar sua imagem e planejar uma candidatura ao Congresso em 2026. A articulação com Cleitinho para uma futura chapa ao governo pode complicar ainda mais a situação de Euclydes, que enfrenta um cenário de incertezas diante das investigações em andamento.

