Governador do Rio e a Questão da Cassação
Às vésperas de deixar seu cargo para pleitear uma vaga no Senado, Cláudio Castro, do PL, já não se encontra mais em risco de cassação do mandato no Palácio Guanabara. A ação eleitoral que poderia resultar na perda de seu cargo deverá ser liberada para continuação do julgamento apenas no final de janeiro. Essa informação foi apurada pela revista VEJA. Portanto, é improvável que a votação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ocorra antes do prazo de desincompatibilização, que se encerra em abril, embora Castro tenha a intenção de se afastar da função executiva logo após o Carnaval, em fevereiro.
Mesmo que não esteja mais no Palácio Guanabara, o governador ainda poderá ser impactado pelo julgamento no TSE, visto que uma eventual condenação pode resultar em sua inelegibilidade. Contudo, segundo advogados especializados em Direito Eleitoral, essa decisão apenas o impossibilitará de concorrer ao Senado caso ocorra antes das eleições.
Castro enfrenta o processo judicial sob a acusação de abuso de poder político e econômico, onde o Ministério Público Eleitoral alega que ele teria participado da contratação de servidores temporários no Centro Estadual de Pesquisa e Estatística do Rio (Ceperj) para atuar como cabos eleitorais durante as eleições de 2022. O governador refuta categoricamente todas as acusações e, no ano passado, foi absolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
Outros Envolvidos no Processo
Além de Cláudio Castro, outras figuras políticas também estão sendo processadas. O deputado Rodrigo Bacellar, do União Brasil, que atualmente é presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio, e o ex-vice-governador Thiago Pampolha, que deixou o cargo para assumir uma posição no Tribunal de Contas do Estado, igualmente respondem ao caso.
A análise do processo teve início em novembro, mas foi suspensa devido a um pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira, que solicitou mais tempo para avaliar a questão. Ele está elaborando seu voto, que deve ser finalizado durante o recesso. A expectativa é de que a ação seja incluída novamente na pauta do TSE até o final deste mês. Após isso, será responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, presidente do tribunal, agendar uma nova data para o plenário retomar a votação.
Expectativas e Implicações do Julgamento
Até o momento, somente a ministra Isabel Gallotti apresentou seu voto, recomendando a condenação do governador, de seu vice e do deputado Bacellar. Um membro do TSE, que preferiu não se identificar, comentou em conversas reservadas que há a possibilidade de um novo pedido de vista, o que poderia atrasar ainda mais a conclusão do processo. Se esse cenário se concretizar, pode-se acreditar que a votação fique para 2027, já que as eleições deste ano devem ocupar a agenda do TSE.
Essa situação revela um momento delicado para Cláudio Castro, que, ao mesmo tempo em que se prepara para uma nova empreitada política, enfrenta desafios significativos que podem impactar seu futuro político. A corrida pelo Senado está cercada de incertezas que envolvem as decisões do TSE e, por sua vez, as repercussões que essas decisões poderão trazer para seu legado e sua carreira na política fluminense.

