Efeitos da Intervenção Americana na Economia Brasileira
A recente invasão da Venezuela pelos Estados Unidos traz à tona incertezas que podem reverberar na economia do Brasil. Especialistas apontam que a derrubada do regime de Nicolás Maduro não apenas altera a dinâmica política na América Latina, mas também pode impactar diretamente os preços dos combustíveis e a inflação no país. De acordo com análises, a estratégia dos EUA em relação ao petróleo venezuelano poderia resultar em uma queda nos preços para o consumidor brasileiro, aliviando a pressão inflacionária.
Fernando Brancoli, professor de Relações Internacionais da UFRJ, destaca que, embora a economia brasileira possa sentir os efeitos de forma indireta, a maior disponibilidade de petróleo venezuelano no mercado global pode levar à diminuição dos preços internacionais. “Se a estratégia for de ampliar a oferta, isso poderá aliviar os preços no Brasil, beneficiando os consumidores e ajudando na contenção da inflação”, comenta Brancoli.
A Queda dos Preços do Petróleo e Seus Reflexos
O professor também ressalta que a diminuição no preço do barril deve, gradualmente, impactar o custo de combustíveis como gasolina e diesel. “Com combustíveis mais baratos, os custos de transporte e logística também caem, refletindo em uma queda geral nos preços, desde alimentos até serviços. Isso significa que a inflação poderá ficar sob controle e o Banco Central não precisará aumentar os juros, proporcionando alívio no orçamento dos brasileiros”, acrescenta.
Roberto Uebel, professor na ESPM e coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos, concorda que o principal impacto para o Brasil se dará com a possível queda do preço do petróleo, que Donald Trump planeja reduzir para cerca de US$ 50 por barril. “Esse cenário pode afetar nosso mercado de combustíveis, frete e até a demanda da Petrobras”, analisa.
Instabilidade na América do Sul e suas Consequências
Além disso, Brancoli alerta que a instabilidade na América do Sul pode criar um ambiente de insegurança econômica, afetando o câmbio e as expectativas inflacionárias. “Mesmo que o Brasil não esteja diretamente envolvido no conflito, a percepção de instabilidade regional pode gerar riscos para a economia”, enfatiza.
Uebel acrescenta que o país enfrenta um risco maior se houver incursões dos Estados Unidos em nações como Colômbia e México, que têm vínculos comerciais mais robustos com o Brasil. “Essas movimentações podem perturbar ainda mais a economia brasileira”, diz.
Oportunidades e Desafios nas Relações Comerciais
Na visão de Brancoli, essa instabilidade pode abrir espaço para o Brasil diversificar suas parcerias comerciais, particularmente com a China. “Em um contexto de rearranjo regional, fortalecer os laços econômicos com a China pode ser vantajoso, desde que essa aproximação seja feita de forma diplomática, evitando provocações a Washington”, observa.
Em relação à Venezuela, Uebel acredita que o impacto econômico no Brasil ainda é limitado, devido à natureza da relação comercial entre os países. “A Venezuela não é um parceiro estratégico para o Brasil, portanto, não esperamos grandes repercussões no curto ou médio prazo”, afirma.
Ele ressalta que a relação comercial é marcada por um superávit do Brasil em relação à Venezuela, embora a logística ainda represente um desafio, pois a única via de acesso terrestre é uma estrada em Roraima, o que encarece o frete. Assim, mesmo nas melhores condições, o comércio entre os dois países permanece restrito.

