Início de um Novo Marco Cultural
No próximo sábado, 17 de janeiro, o Governo do Estado do Rio de Janeiro dará um passo significativo ao lançar o CEP da Cultura. Este programa tem como objetivo ampliar o acesso a iniciativas socioculturais através da ocupação de imóveis públicos. A estreia dessa política será marcada pela inauguração da nova sede do projeto No Palco da Vida, localizado em Bonsucesso, na Zona Norte do estado.
Após sua passagem por Olaria, o No Palco da Vida agora ocupa um espaço mais amplo, gentilmente cedido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SececRJ). A proposta do governo é dar continuidade às atividades socioculturais na comunidade e estabelecer um modelo que facilite a utilização de imóveis públicos por projetos que ofereçam contrapartidas sociais.
“O CEP da Cultura é uma política pública que transforma imóveis do Estado, anteriormente ociosos, em centros dinâmicos de criação, cidadania e inclusão social. Estamos ampliando o acesso à cultura, fortalecendo iniciativas locais e garantindo que esses espaços públicos cumpram sua função social, beneficiando gratuitamente aqueles que mais precisam”, declarou o governador Cláudio Castro.
Desburocratizando o Acesso Cultural
O programa é baseado no Marco Regulatório de Fomento do Governo Federal, que foi instituído pela Lei Federal nº 14.903/2024, a qual inclui um artigo específico para a ocupação cultural de imóveis públicos. A proposta visa tornar o processo de cessão gratuita desses espaços menos burocrático, desde que exista uma contrapartida social, como a oferta de serviços e atividades abertas à comunidade. Essa parceria entre a SececRJ e o No Palco da Vida será a primeira no Brasil a adotar esse modelo inovador.
A secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, enfatizou a importância simbólica dessa iniciativa. “Começar com o projeto No Palco da Vida demonstra nosso compromisso com iniciativas que promovem inclusão e transformação nas comunidades. Essa é a missão do Governo do Estado: democratizar e tornar a cultura mais acessível a todos”, afirmou.
Ampliação da Estrutura do No Palco da Vida
A nova sede do No Palco da Vida representa um crescimento significativo para o projeto, que passa de um único andar para três andares, oferecendo mais salas de atendimento e uma localização mais acessível. O governo também destaca que esse espaço cultural, agora, atenderá uma região que anteriormente não dispunha de um equipamento cultural gratuito de grande porte. As atividades seguirão as diretrizes do Plano Estadual de Cultura, e o contrato terá uma validade inicial de cinco anos, com possibilidade de renovação por um período igual.
A Trajetória do No Palco da Vida
Fundado em 2007 por Wal Schneider, o No Palco da Vida começou como uma oficina voltada para jovens do Complexo do Alemão. Ao longo dos anos, o projeto percorreu quintais e armazéns antes de se estabelecer como a primeira Escola de Artes da Região da Leopoldina, em Olaria, em 2011. De acordo com suas informações, a iniciativa já beneficiou mais de 6 mil alunos em 16 anos, integrando diversas expressões artísticas, como teatro, dança e literatura. O centro cultural também conta com uma biblioteca que abriga cerca de 10 mil livros de arte e já recebeu importantes figuras do cenário artístico, como Zezé Motta e Fernanda Torres.
O idealizador Wal Schneider, natural do Ceará, chegou ao Rio de Janeiro aos 17 anos e formou-se na CAL – Casa das Artes de Laranjeiras. Ele possui uma vasta experiência em produções de TV e streaming e mantém um acervo denominado “Museu de Memória do Teatro”, que contém mais de 40 mil itens, parte dos quais será incorporada à nova sede.
Sobre a mudança para Bonsucesso, Wal Schneider comentou sobre o potencial de crescimento desse projeto. “Essa nova localização não só beneficia os moradores do Complexo do Alemão, que já atendíamos, mas também a comunidade da Maré. É um sonho inaugurar essa nova sede através de uma parceria essencial com a Secretaria de Cultura do Estado, que proporcionará oportunidades de transformação social em uma área periférica que realmente precisava de um espaço cultural de referência”, concluiu.

