Desafios de Ratinho Jr. nas Alianças Estaduais
O governador paranaense, Ratinho Júnior, do PSD, está em busca de viabilizar sua candidatura para o Palácio do Planalto em 2024. No entanto, enfrenta barreiras significativas em seis estados, onde as lideranças de seu próprio partido já firmaram compromissos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, ou com outros candidatos. Essa situação complica a tentativa de fortalecer sua imagem nacional, especialmente em regiões estratégicas como Sudeste, Nordeste e Norte do Brasil.
Recentemente, Ratinho Júnior sinalizou mais claramente sua intenção de concorrer. Durante um evento no Palácio Iguaçu, ele declarou que “aceitaria o desafio” caso seja o escolhido para conduzir um “novo projeto para o Brasil”. Essa declaração reflete o desejo do PSD de lançar um nome forte na disputa, especialmente após a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter ganhado destaque. Gilberto Kassab, presidente do PSD e também secretário na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), está intensificando esforços para consolidar uma candidatura em nível federal.
Minas Gerais: Desafios Locais e Alianças
Os obstáculos para Ratinho Jr. começam em Minas Gerais, onde a sigla já tem um candidato ao Palácio Tiradentes: o vice-governador Matheus Simões. Ex-membro do Partido Novo, Simões optou por manter seu apoio ao governador Romeu Zema, que também está no páreo presidencial. Zema, apesar de ser cortejado para uma chapa de direita como vice, já afastou essa possibilidade publicamente, consolidando sua posição para 2024.
No estado do Rio de Janeiro, a situação é igualmente desafiadora. O prefeito Eduardo Paes (PSD) deve se unir a Lula, apesar de suas interações com o bolsonarismo ao longo do último ano. Sua relação com o governador Cláudio Castro (PL) e as críticas do vice-prefeito Eduardo Cavaliere à administração petista na área de segurança geraram tensão. Contudo, Paes, em visita a Brasília, reafirmou seu apoio a Lula, conforme divulgado pela newsletter “Jogo Político”, do GLOBO.
Alianças no Nordeste e Posição no Piauí
No Nordeste, especificamente na Bahia, o PSD permanece aliado ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). Gilberto Kassab liberou a sigla para manter essa parceria, mesmo em meio a negociações para uma chapa pura ao Senado, composta por Jaques Wagner e Rui Costa. Essa aliança, no entanto, exclui o senador Ângelo Coronel (PSD), que busca a reeleição, mas provavelmente não afetará a harmonia entre os partidos.
Em Piauí, cuja governança está nas mãos do PT há mais de dez anos, formou-se um palanque que acomodará a reeleição do governador Rafael Fonteles e a candidatura ao Senado do deputado federal Júlio César (PSD), aliado do ministro Wellington Dias. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra, do PSD, está em busca de apoio do PT, competindo com o prefeito de Recife, João Campos (PSB), também mirando a reeleição.
Expectativas no Ceará e Direção Nacional
Entretanto, a situação no Ceará apresenta nuances diferentes. Nesse estado, o PSD está alinhado ao governador Elmano de Freitas (PT) e o ex-deputado Domingos Filho, presidente local da sigla, atua como secretário de Desenvolvimento Econômico. A direção estadual do partido afirmou que pretende seguir apoiando Elmano, mas, a nível nacional, acompanhará a orientação de Gilberto Kassab, o que implica que o partido deverá respaldar a candidatura de Ratinho.
A complexidade das alianças locais e os compromissos já firmados indicam que Ratinho Júnior terá um caminho desafiador pela frente. Mesmo com sua determinação em liderar uma nova proposta para o Brasil, o apoio de líderes em estados-chave será crucial para que sua candidatura se torne viável no cenário político de 2024.

