Negociações Cruciais pelo Acesso aos Minerais
No último dia 27, a União Europeia deu um passo significativo rumo ao fortalecimento das relações comerciais com o Brasil, conforme declaração da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Durante um evento no Rio de Janeiro, que também celebrou o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, negociado por 25 anos, Von der Leyen revelou que está discutindo com o governo brasileiro um pacto voltado para investimentos em lítio, níquel e terras raras. Esses minerais são considerados vitais para a transição energética e para a estabilidade geopolítica do bloco europeu.
“Estou satisfeita por ver que estamos nos aproximando de um acordo político sobre matérias-primas, que inclui investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras. Tais recursos são fundamentais para a nossa transição digital e limpa”, afirmou a presidente, destacando a importância da independência estratégica em um cenário global onde os minerais se tornaram instrumentos de influência.
Acordo Comercial e Cooperação em Minerais
É importante notar que, embora os acordos tenham sido anunciados no mesmo evento, eles possuem escopos diferentes. O tratado comercial abrange um espectro mais amplo, enquanto a colaboração em minerais concentra-se em cadeias críticas de suprimentos. Ursula von der Leyen ressaltou que a proposta europeia visa estabelecer uma relação de independência mútua, destacando a crescente preocupação com a geopolítica dos recursos minerais. “Em um mundo onde os minerais são muitas vezes utilizados como ferramentas de coerção, precisamos garantir que nossas interações sejam benéficas para ambas as partes”, comentou.
A presidente da Comissão Europeia também enfatizou que a Europa se compromete a seguir altos padrões de transparência e respeito ambiental. “As comunidades locais devem ser as maiores beneficiárias do valor gerado por essas relações. Esse é o modo europeu de conduzir negócios”, completou.
Cenário Internacional e Interesse Global
O avanço nas negociações entre a União Europeia e o Brasil ocorre em um contexto de intensa concorrência global por minerais estratégicos. Durante a presidência de Donald Trump, os Estados Unidos também demonstraram interesse nas reservas brasileiras, especialmente nas que contêm terras raras. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desse tipo de minério, com a China liderando a posse desses recursos.
Embora o Brasil tenha um grande potencial, a maior parte da produção de terras raras ainda é exportada sem o devido processamento industrial, limitando o valor agregado que permanece no país. Esses elementos químicos são essenciais para diversas aplicações, incluindo turbinas eólicas, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos médicos e até mesmo armamentos. A dominância da China no refino e no processamento desses minérios coloca a União Europeia e os Estados Unidos em uma posição de busca por diversificação de fornecedores e redução da dependência externa.
Uma Parceria de Ganhos Mútuos
Ursula von der Leyen descreveu o tratado comercial entre o Mercosul e a União Europeia como uma verdadeira parceria de “ganha-ganha”. Ao concluir sua fala, ela se dirigiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em português, expressando um otimismo contagiante: “Todo mundo beneficiado é realmente um ganha-ganha. E quero dizer, do fundo do meu coração: obrigada, amigo. O melhor está por vir”. Essa interação evidencia o comprometimento das duas partes em construir uma relação comercial sólida e mutuamente benéfica, que promete impulsionar a economia e a sustentabilidade em ambas as regiões.

