A batalha pela liderança política no Rio de Janeiro
No cenário político fluminense, as movimentações em torno da corrida ao Palácio Guanabara estão cada vez mais intensas. Em novembro do ano passado, Douglas Ruas (PL), secretário das Cidades do Rio e novo representante da direita para a disputa, participou do podcast “Papo Reto”. No programa, que teve como foco a segurança pública, Ruas, famoso por seu discurso cauteloso, adotou uma postura firme, semelhante à do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência. Ele compartilhou suas experiências e desabafos sobre a segurança no estado, o que ressoou entre os eleitores que se alinham à agenda da bancada da bala.
Logo nos primeiros momentos da conversa, o secretário, que tem 37 anos e é parte da administração de Cláudio Castro, relembrou com nostalgia a trajetória dos entrevistadores, que também possuem vínculos com a polícia. Filho de um ex-capitão da PM que se tornou prefeito de São Gonçalo, Ruas tem um histórico familiar que o conecta profundamente à segurança pública. Ele se formou como inspetor da Polícia Civil em 2013 e, em suas falas, não hesitou em criticar o Judiciário, alegando que a liberação de criminosos e a ADPF das Favelas, promovida pelo Supremo Tribunal Federal, transformaram o Rio em um “Spa dos vagabundos”. A sua proposta de campanha inclui, entre outras promessas, a construção de novos batalhões da PM em São Gonçalo e Nova Iguaçu.
“Escutamos muitos especialistas, mas ninguém entende mais de segurança do que os próprios policiais”, afirmou Ruas, ecoando o desejo de muitos cidadãos que anseiam por uma abordagem mais rigorosa à segurança pública. Esse discurso, claro, ecoa positivamente entre eleitores ávidos por uma política de “tiro, porrada e bomba”. Contudo, a resposta da administração de Eduardo Paes (PSD) e seu grupo político é cautelosa, dada a popularidade crescente de Ruas no segundo maior colégio eleitoral do estado. Além de suas conexões com a base, o deputado conquistou apoios significativos entre prefeitos de cidades do interior, especialmente através de investimentos em infraestrutura.
Movimentações políticas em São Gonçalo
Desde o final do ano passado, Paes tem tomado medidas para mitigar a ameaça que Douglas Ruas representa. Uma das primeiras ações foi a concessão de mais recursos ao município de São Gonçalo, abrindo mão de parte da receita dos royalties. Além disso, o prefeito tem insinuado que, caso Ruas decida concorrer a deputado estadual, poderia apoiá-lo na presidência da Assembleia Legislativa, uma estratégia que visaria garantir a continuidade do controle político em São Gonçalo nas eleições de 2028, onde o Capitão Nelson, pai de Ruas, planeja lançar um novo candidato.
A situação política no Rio de Janeiro apresentou desafios para Paes, especialmente em um contexto de dificuldades econômicas. A cidade, que antes era um canteiro de obras, agora enfrenta escassez de recursos, principalmente após o fim das transferências provenientes da Cedae e as emendas do chamado Orçamento Secreto, que eram influenciadas por aliados de Ruas. A insatisfação popular ainda foi exacerbada por protestos de educadores que reivindicavam o pagamento correto do 13º salário e de outros benefícios. Medidas impopulares, como alterações na arrecadação do IPTU, também geraram descontentamento entre a população.
Nos bastidores, a especulação é de que Paes, que permanece na administração sob um clima de rancor, deve enfrentar Ruas nas urnas, o que poderia alterar significativamente o cenário político. Além de Ruas, a oposição se organiza em torno de figuras como Renan Ferreirinha e João Pires, ambos do PSD, que planejam candidaturas simultâneas para deputado federal e estadual, respectivamente. Esses candidatos, respaldados pelos prefeitos de Niterói e Maricá, têm potencial para desalojar o PL da cidade em 2028.
A expectativa sobre Douglas Ruas e o STF
Interessantemente, Ruas espera a definição sobre a candidatura de Washington Reis (MDB), ex-prefeito de Duque de Caxias e aliado de Flávio Bolsonaro, que tenta reverter sua inelegibilidade. O julgamento que determinará seu futuro político está agendado para o dia 11 de fevereiro. Com Reis enfrentando problemas de saúde e uma situação jurídica complexa, a sua candidatura é incerta e pode não interferir diretamente na disputa pelo governo.
Se Douglas Ruas decidir oficializar sua candidatura, ele poderá representar um salto significativo para São Gonçalo dentro da política estadual. Por sua vez, Altineu Côrtes, que atua em silêncio, tem como objetivo garantir uma vaga no Tribunal de Contas da União, apostando na saída de Augusto Nardes para se candidatar a deputado federal. Assim, a corrida pelo governo do Rio de Janeiro se torna ainda mais intrigante, prometendo desdobramentos surpreendentes à medida que os prazos eleitorais se aproximam.

