Deputada Alagoana Exige Transparência nas Investigações
A deputada federal Heloísa Helena, representando Alagoas e ocupando atualmente um mandato temporário pelo Rio de Janeiro, voltou a usar suas redes sociais para compartilhar um dos discursos mais contundentes desde que assumiu a cadeira deixada por Glauber Braga, suspenso pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. O foco de sua manifestação é a exigência pela instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master, que, segundo a parlamentar, está sendo deliberadamente obstruída para proteger interesses escusos.
Com um tom direto e repleto de indignação, Heloísa Helena declarou que “ou tem vergonha na cara ou não tem”, rejeitando qualquer tentativa de suavização ética sobre o caso. Para a deputada, a resistência de alguns parlamentares em assinar a CPMI não é um acaso, mas um reflexo de um padrão recorrente da política brasileira: transferir o ônus da corrupção para aqueles que menos têm.
Ela elencou uma série de consequências sociais que, segundo suas observações, resultam desse sistema de blindagem: a suspensão de benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para crianças com autismo ou em surto grave, filas cada vez mais extensas no INSS, cirurgias adiadas, restrições a medicamentos essenciais, descaso com a pesquisa científica, além de escolas e balsas sem ar-condicionado em meio ao calor intenso, culminando na captura de jovens de comunidades vulneráveis pelo tráfico. “Depois”, completou, “deixam o Banco Master lavar o dinheiro sujo do narcotráfico”.
No ponto mais impactante de sua publicação, Heloísa Helena trouxe à tona dados alarmantes: mais de 230 mil aposentados e pensionistas atingidos somente no estado do Rio de Janeiro, além de repercussões em outras regiões do país. Apesar disso, a CPMI permanece estagnada. A razão, na perspectiva da deputada, é clara: barrar que a população tenha acesso aos detalhes, em tempo real, das transações envolvendo dinheiro público que estão sendo apropriadas por uma minoria no cenário político.
A parlamentar reconhece que a luta contra a corrupção pode não trazer ganhos eleitorais imediatos, mas enfatiza que esse combate é inegociável. “Aprendi desde cedo: tem vergonha na cara e amor no coração”, escreveu Heloísa, reforçando os valores éticos e cívicos que orientam sua atuação.
Por fim, Heloísa Helena fez um apelo direto aos parlamentares do Rio de Janeiro e de todo o Brasil para que assinem o requerimento da CPMI do Banco Master, elaborado por ela e pela deputada Fernanda Melchionna. Para a alagoana, a instalação da comissão é crucial para “arrancar o véu da hipocrisia” e expor os “mistérios sujos” que envolvem o banco.
Essa nova manifestação intensifica a pressão política no Congresso, solidificando a posição de Heloísa Helena como uma das vozes mais proativas na reivindicação por transparência. Este escândalo, que já ultrapassou os limites financeiros, representa, segundo suas palavras, a engrenagem perversa que protege os poderosos enquanto penaliza os mais vulneráveis.

