Iniciativas em Prol da Saúde da População Negra
O Programa Saúde da População Negra, implementado na rede municipal de saúde de Macaé, está se preparando para diversas ações ao longo de 2026. O principal objetivo é aprimorar o atendimento à população negra, assegurando que todos os usuários tenham acesso a serviços de saúde de forma qualificada, oportuna e com respeito às suas particularidades. Para potencializar essas ações, a equipe do programa tem promovido intercâmbios de experiências com representantes de São Gonçalo, que também desenvolvem iniciativas semelhantes.
A coordenação do programa é supervisionada pela Gerência de Vigilância em Saúde, que inclui a Divisão de Informação e Análise de Dados (DIAD), responsável pela coleta e análise de dados que fundamentam as ações de saúde. A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), estabelecida em 13 de maio de 2009, visa promover dignidade e qualidade de vida à população negra, reconhecendo o racismo como uma barreira social que impacta a saúde e buscando garantir acesso a serviços de saúde adequados por meio de ações voltadas à promoção, prevenção e tratamento de doenças, levando em consideração as especificidades desse grupo.
Troca de Experiências e Capacitação
Em Macaé, o Programa de Saúde da População Negra é dirigido por Jéssika Celestino e Rosana Feliciano. Recentemente, as coordenadoras se reuniram com Belmira Félix de Oliveira Rodrigues, de São Gonçalo, para compartilhar experiências e discutir os avanços do programa. Durante a reunião, foram abordados tópicos como resultados já alcançados, acesso a serviços de saúde, campanhas de conscientização e formação de profissionais, além da necessidade de articulação com outras secretarias e a realização do curso de Letramento Racial.
Para Jéssika Celestino, coordenadora em Macaé, o programa tem um papel fundamental na luta contra o racismo estrutural. Segundo ela, as ações de educação, conscientização e políticas públicas inclusivas são essenciais para reduzir as disparidades. “A capacitação dos servidores através do Letramento Racial é crucial para a construção de indicadores de saúde eficazes, que levem em conta a autodeclaração e o quesito raça/cor”, afirmou.
Belmira Félix destacou a importância de incluir populações vulneráveis, como quilombolas, refugiados e indígenas, nas estratégias de saúde, além de enfatizar a necessidade de monitoramento dessas populações.
Agenda de Ações para 2026
Ao longo de 2026, diversas capacitações e ações estão programadas, visando a melhoria contínua do atendimento à população negra. Estão previstas atividades como formações para agentes de acolhimento, rodas de conversa sobre saúde mental, e ações de Letramento Racial nos dias 17, 18 e 31 de fevereiro, além de um seminário sobre doenças prevalentes na população negra, que ocorrerá em abril. O curso de Letramento Racial também será direcionado a enfermeiros e médicos, enquanto reuniões mensais do grupo de trabalho (GT) acontecem na primeira terça-feira de cada mês.
Além disso, a abordagem do racismo nas escolas e visitas técnicas às unidades de saúde estão na agenda. A proposta é que todas essas ações estejam alinhadas à Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), que se empenha em reduzir desigualdades em saúde e promover uma atenção integral.
Dados e Desafios de Saúde
De acordo com dados do IBGE de 2022, 62% da população de Macaé se identifica como negra (pretos e pardos), o que ressalta a importância das iniciativas voltadas para essa população. A Vigilância em Saúde de Macaé trabalha para superar barreiras estruturais e diminuir a mortalidade precoce, além de outros indicadores preocupantes, como óbitos maternos e infantis. A produção de informações qualificadas é vital para evidenciar as desigualdades e apoiar o planejamento em saúde.
O boletim epidemiológico é uma ferramenta que se destaca nesse contexto, servindo para monitorar as demandas da população negra e contribuir na formulação de políticas públicas inclusivas. Os dados revelam que mais da metade dos atendimentos na rede municipal foram realizados em indivíduos pretos e pardos (53,02%). Entretanto, as mulheres de raça/cor preta e parda enfrentam maiores desafios em relação à saúde reprodutiva, com altas taxas de gravidez não planejada e um número alarmante de internações por complicações na gravidez.
Além disso, segundo o INCA, mulheres negras têm 57% mais chances de falecer devido ao câncer de mama em comparação às mulheres brancas. As estatísticas de morbidade indicam que doenças cardiovasculares e infecciosas são as mais comuns entre a população negra, com destaque para insuficiência cardíaca, hipertensão, tuberculose e HIV. Essas informações ressaltam a necessidade urgente de intervenções específicas e uma atenção mais direcionada para a saúde da população negra em Macaé.

