O Papel de Bap nas Negociações do Flamengo
Nos últimos tempos, a figura do presidente do Flamengo, Bap, tem gerado discussões sobre sua atuação nas principais negociações do clube. Ao contrário da antiga gestão, onde a presença dos dirigentes era frequente nas mesas de negociações, agora Bap inicia sua participação com breves declarações e, geralmente, se afasta logo em seguida. Em um evento recente, por exemplo, ele abriu seu discurso de quase sete minutos ressaltando que não era sua intenção estar ali, dado que desde que assumiu o cargo, sua presença em entrevistas tem sido rara, exceto em situações muito específicas, como no dia em que Zico esteve no CT.
Bap deixou claro que não estava ali para discutir contratações, deixando essa tarefa a Boto, Filipe e aos demais canais de comunicação do clube. Ele enfatizou a importância das finanças do Flamengo na recente contratação de Paquetá, afirmando que isso era mais relevante do que a simples introdução de novos jogadores. Após a tradicional foto com a camisa do novo atleta, Boto explicou que sua presença na mesa de negociações não era comum, mas que, a pedido da diretoria de comunicação, ficou para responder algumas questões.
A presença de Bap nas atividades diárias do clube é limitada. Embora ele compareça em ocasiões importantes e reuniões específicas, sua influência se concentra mais nas decisões macro, como contratações e renovações. Em entrevistas, o diretor de futebol José Boto confirmou que a participação de Bap no processo decisório não se alterou. “As grandes decisões, incluindo contratações, devem sempre passar por ele”, afirmou Boto, ressaltando que a autonomia não é total, pois todas as questões mais relevantes precisam do aval do presidente.
Recentemente, Bap decidiu que jogadores da equipe principal retornassem antes do esperado no Carioca, para disputar clássicos contra rivais importantes como Vasco e Fluminense. A decisão, no entanto, não incluiu palpites sobre quem deveria ser titular. No que diz respeito a suas interações com a equipe, Boto mencionou que a falta de presença física de Bap no dia a dia não diminui a comunicação: “Falo com ele todos os dias, mesmo que ele não esteja no CT”.
Outro ponto levantado por Boto foi a questão das janelas de transferências. Ele relembrou que a primeira janela foi desafiada por limitações financeiras, com apenas cerca de seis milhões de euros disponíveis. Contudo, ele destacou que a gestão de Bap tem sido vital para impulsionar o clube, permitindo movimentações mais agressivas nas janelas subsequentes. Ele acredita que esse tipo de gestão é essencial para garantir que o Flamengo continue a se destacar no cenário do futebol brasileiro e internacional.
A negociação de Paquetá e a renovação de Filipe Luís são exemplos claros da influência de Bap. O Flamengo só começou a agir oficialmente em relação ao meia depois que o presidente retornou de uma viagem de férias, enquanto as tratativas com o West Ham estavam em andamento. A saída de Wallace Yan também ilustra o impacto que as decisões de Bap podem ter nas transferências, com a proposta do Bragantino gerando um impasse que chegou ao conhecimento do presidente.
Bap tem sido enfático em afirmar que não pretende interferir nas escolhas do diretor técnico. “A caneta, no fim das contas, é minha, mas meu papel é muito mais de vetar do que de decidir por ele”, declarou durante sua posse. Essa declaração evidencia a dinâmica de poder dentro do clube e como as decisões são moldadas em um ambiente onde a colaboração e a comunicação são essenciais para o sucesso das negociações e da gestão como um todo.

