Uma Celebração com Propósito
Durante o Carnaval de 2024, a Avenida Mem de Sá, no coração do Rio de Janeiro, será palco de mais do que música e dança. No dia 17 de fevereiro, o famoso bloco Quizomba, que faz parte da Liga Amigos do Zé Pereira, dará voz e ritmo à luta contra o feminicídio, em parceria com o movimento ‘Mulheres Vivas’. Essa iniciativa já mobiliza mais de 100 cidades brasileiras e, pela primeira vez, faz sua estreia nas ruas do Rio durante o carnaval. O objetivo é transformar a festividade em um poderoso manifesto em defesa da vida.
Inspirada no livro ‘Festa e Guerra’, de Beatriz Perrone-Moisés, a ação busca mostrar que celebrações podem ser também uma forma de resistência. Segundo a autora, para os povos indígenas das Américas, a festa é um aquecimento para a luta e vice-versa.
“Nossa intenção era realizar uma grande manifestação sobre um tema tão relevante. O carnaval, que já promove a campanha ‘Não é Não’, é o espaço perfeito para essa abordagem. Em vez de seguir o padrão habitual de protestos, queremos algo mais lúdico, que se encaixe no espírito festivo”, afirmou Rachel Ripani, criadora do movimento.
Inovações e Atrações do Levante
Com uma proposta inovadora, o movimento ‘Mulheres Vivas’ fará sua presença ser sentida nas ruas de forma criativa. Entre as atrações estão:
- Alas Itinerantes: Grupos de mulheres que transitarão pelo carnaval, carregando o estandarte da causa.
- Identidade Coletiva: Uso de abadás exclusivos e tatuagens temporárias com a marca do movimento.
- Hino de Resistência: Uma marchinha original composta pela artista Fernanda Maia, que promete entrar para a história.
A letra da marchinha destaca a luta e a resiliência, com refrões que celebram a vida e a alegria feminina:
Simbora, povo, simbora
Vamos pra rua
Batucando no coração
A rua é nossa, simbora
Vem ser feliz
Nosso riso é revolução
Me dá a mão, menina
Te quero viva…
O Quizomba, apesar de ter um enredo this ano focado na sustentabilidade, com o tema ‘Verde que te quero ver’, não deixará de abraçar a campanha contra o feminicídio. “O Quizomba sempre esteve engajado em questões sociais. Para nós, o carnaval é também um espaço de reflexão”, explicou Andre Schmidt, um dos fundadores do bloco.
Apoio e Mobilização Social
O Quizomba, que completa 25 anos de desfile no Rio e participa do carnaval paulista desde 2011, busca não apenas celebrar, mas também engajar em causas importantes. Com uma bateria composta em sua maioria por mulheres, o bloco se tornou um símbolo de apoio a pautas de gênero. A expectativa é que cerca de 40 mil pessoas participem do desfile, que começará às 9h, com concentração a partir das 8h.
Além desse movimento, as secretarias de estado da mulher e de turismo estão se mobilizando em campanhas durante o carnaval. Uma colaboração técnica com a Livre de Assédio e outras instituições visa capacitar profissionais de bares, hotéis e eventos a acolher vítimas de violência de gênero.
Campanhas de Conscientização no Carnaval
A Secretaria de Estado da Mulher do Rio também fará presença durante os desfiles na Marquês de Sapucaí, com a campanha ‘Não é Não! Respeite a Decisão’. Materiais informativos sobre acolhimento e números de denúncia serão distribuídos. Além disso, a secretaria está colaborando com as escolas de samba para promover ações durante os ensaios, reforçando a necessidade de um carnaval seguro para todos.
A campanha incentiva as mulheres a baixarem o app Rede Mulher, que oferece funcionalidades como acionamento de emergência diretamente com a Polícia Militar e informações sobre centros de atendimento. O aplicativo possui um modo camuflado para proteger a usuária, funcionando em várias línguas.
O carnaval carioca deste ano promete, portanto, ser não apenas uma festa, mas um ato de resistência e conscientização, mostrando que a alegria e a luta podem andar de mãos dadas nas ruas do Rio.

