Mudanças na Estrutura Acionária da Alliança Saúde
Nelson Tanure, empresário brasileiro, recentemente teve sua participação na Alliança Saúde e na Light afetada por ações judiciais. Os credores tomaram posse das ações após Tanure não conseguir cumprir com as obrigações financeiras estabelecidas. Ele havia utilizado essas ações como garantia para empréstimos, mas, diante da inadimplência, os credores decidiram reaver os papéis em questão.
A participação de Tanure nessas empresas é indireta, realizada através de fundos de investimento e outras entidades. Neste mesmo dia, a Alliança Saúde anunciou que o fundo Prisma Infratelco VD agora detém aproximadamente 10,7% das ações da companhia, resultado do mesmo processo de garantia.
Com essa reestruturação, o fundo Fonte de Saúde e a Lormont Participações, que estão associados a Tanure, perderam o controle da Alliança Saúde e agora possuem apenas 6,96% das ações.
Intenções de Venda pelos Novos Credores
Os fundos que obtiveram essas ações informaram que não têm interesse em manter as participações na empresa e planejam vendê-las, um movimento que pode impactar significativamente a dinâmica acionária da Alliança Saúde nos próximos meses.
Tanure, que havia assumido o controle da Alliança Saúde em 2023 após uma oferta pública de aquisição de ações (OPA), iniciou sua trajetória na empresa em 2022, quando começou a acumular participações. Em um comunicado separado, a Light confirmou que o fundo Opus também adquiriu cerca de 9,9% de suas ações, também devido ao cumprimento das garantias financeiras. Assim como os outros fundos, o Opus manifestou interesse em vender sua participação.
Investigações e Controvérsias Envolvendo Tanure
No mês passado, Tanure se tornou alvo de mandados de busca e apreensão durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Essa operação investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. Durante a ação, os policiais foram até a casa de Tanure, mas não o encontraram. Ele acabou sendo localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, prestes a embarcar em um voo nacional, onde teve seu celular apreendido.
Os agentes da PF cumpriram 42 mandados expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que também ordenou o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 5,7 bilhões. As investigações buscam esclarecer suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituições financeiras, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, relacionadas a créditos fictícios supostamente concedidos pelo Banco Master.
Em uma declaração, Tanure ressaltou que nunca foi o controlador do extinto Banco Master, nem mesmo em uma capacidade minoritária. Ele alega que não possui relações diretas ou indiretas com a instituição, mesmo através de opções ou outros instrumentos financeiros.
Investigação Precedente e Atuação no Mercado Financeiro
A primeira fase da operação, realizada em novembro do ano passado, resultou em sete prisões, incluindo a de um associado de Tanure. As fraudes financeiras em questão estão estimadas em cerca de R$ 12 bilhões. Tanure também foi objeto de investigações anteriores da PF, a pedido do Ministério Público Federal, para determinar se ele seria o verdadeiro controlador do Banco Master, através de uma rede complexa de empresas e fundos.
Essa série de acontecimentos reacendeu discussões sobre a estrutura dos fundos ligados a Tanure e sua proximidade com instituições sob investigação. Em 2025, a Receita Federal conduziu uma operação de grande escala visando esquemas de lavagem de dinheiro no mercado financeiro, envolvendo diversas fintechs e gestoras. Embora Tanure não tenha sido formalmente acusado nessa operação, sua imagem sofreu impactos significativos.
Perfil de Nelson Tanure e Sua Trajetória Empresarial
Nelson Tanure é um renomado empresário brasileiro que ganhou notoriedade ao adquirir empresas em crise e tentar reestruturá-las. Natural de Salvador, nasceu em 1951 e formou-se em Administração pela Universidade Federal da Bahia. Começou sua carreira na empresa imobiliária da família e, ao longo dos anos, diversificou seus investimentos em setores como energia, saúde e telecomunicações. Ele tem um histórico de participação em empresas como Light, Alliança Saúde, Gafisa e TIM Brasil.
Nos anos 2000, Tanure também teve envolvimento na recuperação de jornais tradicionais durante uma fase crítica do setor. Frequentemente mencionado na mídia por suas estratégias de reestruturação e disputas acionárias, ele se vê atualmente no centro de investigações relacionadas ao Banco Master, que levantam questões sobre fraudes e a manipulação do mercado, embora ele continue a negar qualquer irregularidade.

