Gasolina e Conta de Luz: Principais Influências na Inflação de Janeiro
A inflação oficial brasileira em janeiro registrou 0,33%, mantendo-se estável em relação ao mês anterior. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou um desempenho acumulado de 4,44% nos últimos 12 meses, o que se encontra dentro da meta estipulada pelo governo. O avanço nos preços da gasolina e a redução na conta de luz foram determinantes para esses resultados.
A gasolina, por sua vez, foi a principal responsável pela pressão inflacionária deste mês, contribuindo com 0,10 ponto percentual para o índice. Em contrapartida, a conta de luz registrou um impacto negativo de -0,11 ponto percentual. Esses dados foram divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Rio de Janeiro.
Manutenção da Meta de Inflação e Expectativas do Mercado
A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com uma tolerância que varia entre 1,5% a mais ou para menos. Desde novembro do ano anterior, o IPCA permanece dentro desse intervalo de tolerância. Agora, a avaliação da meta se refere aos 12 meses anteriores, em vez do total acumulado até dezembro de cada ano.
Conforme informações do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, as instituições financeiras projetam um índice de 3,97% para o IPCA ao final deste ano. Essa previsão reflete um cenário de expectativa moderada em relação à inflação.
Composição do IPCA: Produtos e Serviços em Destaque
O IPCA mede o custo de vida para famílias com rendimentos que variam de um a 40 salários mínimos. Para isso, são coletados dados sobre 377 subitens, que englobam tanto produtos quanto serviços. Em janeiro, dos nove grupos que compõem o índice, dois apresentaram quedas significativas, e os demais mostraram variações moderadas.
No grupo de comunicacão, por exemplo, houve um aumento de 0,82% (0,04 p.p.), enquanto saúde e cuidados pessoais subiram 0,70% (0,10 p.p.). O transporte se destacou com uma alta de 0,60% (0,12 p.p.), impulsionado principalmente pelos combustíveis, que apresentaram uma elevação média de 2,14%.
Movimentações nos Combustíveis e Tarifas de Transporte
O preço da gasolina, especificamente, teve um aumento de 2,06%, em grande parte devido ao reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), implementado no início do ano. Além disso, o IBGE ainda registrou aumentos no etanol (3,44%) e no óleo diesel (0,52%). Em contraste, a Petrobras anunciou uma redução de 5,2% no preço da gasolina ao final de janeiro.
O impacto nos transportes urbanos também se fez sentir, com um aumento médio de 5,14%. As estatísticas revelaram reajustes nas tarifas em diversas capitais, como Fortaleza (20%) e São Paulo (6%). Por outro lado, os preços dos transportes por aplicativo caíram significativamente, com uma redução de 17,23%.
Queda na Conta de Luz e Desempenho Alimentar
Um fator positivo a destacar foi a queda de 2,73% na taxa de energia elétrica, que contribuiu com um impacto de -0,11 p.p. no IPCA. Essa redução é atribuída à mudança na bandeira tarifária, que passou de amarela para verde, eliminando cobranças adicionais na fatura.
No tocante ao grupo alimentar, que representa uma parcela significativa do orçamento das famílias, houve um aumento de 0,23% em janeiro, o menor índice desde 2006. Produtos como leite longa vida e ovos experimentaram quedas consideráveis, enquanto itens como tomate e carnes viram aumentos nos preços.
Tendências Futuras e Análise do Cenário Econômico
O índice de difusão, que mostra a abrangência da inflação, subiu de 60% em dezembro para 64% em janeiro, indicando uma maior dispersão entre os produtos e serviços. O IBGE categoriza os dados do IPCA em serviços e preços monitorados, com o primeiro grupo apresentando uma variação de 0,10%, a mais baixa desde junho de 2024.
Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa, observou que fatores como o aumento do salário mínimo e o período de férias podem ter influenciado a demanda em janeiro. Os preços monitorados, por sua vez, subiram 0,53%, com um impacto acumulado de 7,48% nos últimos 12 meses.

