O Protagonismo Feminino na Expedição Roncador-Xingu
O projeto cultural “Memórias de Alda” está em produção de um curta-documentário que se propõe a destacar o papel das mulheres na Expedição Roncador-Xingu, que ocorreu entre 1943 e 1948. A obra, que se concentra na história de Alda Vanique, esposa do coronel Flaviano de Mattos Vanique, procura resgatar memórias que muitas vezes ficaram à sombra da narrativa oficial sobre a ocupação do interior do Brasil durante o governo de Getúlio Vargas.
Localizado em Barra do Garças, Mato Grosso, o projeto cultural busca oferecer uma nova perspectiva sobre esse importante período histórico, enfatizando a trajetória de Alda e sua inserção em uma época repleta de transformações sociais, políticas e territoriais. Após o falecimento do coronel Vanique, a liderança da expedição foi repassada aos irmãos Villas-Bôas, que se tornaram ícones do trabalho indigenista brasileiro.
Uma Produção Aprovada e Financiada
Dirigido por Fátima Rodrigues, o documentário é fruto de uma proposta pública aprovada no Edital nº 15/2023/SECEL-MT. A produção é financiada através da Lei Paulo Gustavo, com recursos do Governo de Mato Grosso, via Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (SECEL-MT). Além disso, conta com o apoio institucional do Núcleo de Produção Digital da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia.
A narrativa do documentário não só foca em Alda, mas também em Diacui, uma indígena do povo Kalapalo, que se casou em 1952 com o sertanista Ayres Cunha. As histórias de Alda e Diacui se entrelaçam, revelando perspectivas femininas diversas em meio às tragédias pessoais, à luta pela conquista territorial e ao amplo contexto histórico da Marcha para o Oeste, abrangendo principalmente as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.
Resgatando Memórias Femininas
Fátima Rodrigues, a diretora, acredita que trazer à tona as histórias de Alda e Diacui significa ressaltar as narrativas femininas que, ao longo do tempo, foram invisibilizadas na história oficial do Brasil. Segundo Rodrigues, “Alda possui uma relevância histórica que ainda não foi devidamente explorada. A história da Expedição Xingu é, frequentemente, contada sob a perspectiva do coronel Vanique e dos irmãos Villas-Bôas. Temos, agora, a chance de apresentar a visão dessas mulheres”.
O documentário já está em sua fase de produção e vem realizando entrevistas com moradores e historiadores de várias localidades, incluindo Barra do Garças (MT), Rio de Janeiro (RJ), Nova Xavantina (MT), Porto Alegre (RS) e Cuiabá (MT). Um dos entrevistados é Cláudio de Mello Sander, sobrinho de Alda Vanique, que fez uma visita ao município de Nova Xavantina no final do ano passado.
Uma Memória Viva
A história de Alda Vanique ainda ressoa entre os moradores de Nova Xavantina, que a lembram como a “primeira-dama” da cidade, integrando a narrativa da fundação do município. A proposta do documentário é, portanto, não apenas resgatar a vida de uma mulher da alta sociedade gaúcha que deixou o Rio Grande do Sul em 1944, mas também explorar os desafios que ela enfrentou em um novo contexto cultural.
Com o lançamento do curta-documentário previsto para março deste ano, “Memórias de Alda” promete ser uma obra impactante que convida à reflexão sobre as contribuições das mulheres na história do Brasil, em especial durante momentos de grande transformação social e territorial.

