Regras Aprovadas para Eleições Indiretas no Rio de Janeiro
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, na última quarta-feira (11), um conjunto de regras voltadas para a realização de eleições indiretas ao governo do Estado, em situações de dupla vacância no Executivo. Isso ocorre quando tanto o cargo de governador quanto o de vice ficam vagos. O novo texto estabelece que a votação será aberta e altera o prazo de desincompatibilização para candidatos que ocupam cargos na administração pública. A proposta agora aguarda a sanção do governador Cláudio Castro (PL).
O contexto de aprovação dessas novas diretrizes é a expectativa de que Castro deixe o cargo em abril para concorrer a uma vaga no Senado nas eleições de outubro. Apesar disso, as novas regras se aplicam a todas as futuras eleições indiretas que ocorrerem no Estado. É importante destacar que, embora a Constituição do Rio já preveja a realização desse tipo de eleição em caso de dupla vacância, a regulamentação específica para o processo ainda não existia até o momento.
Expectativas e Implicações da Nova Legislação
A Constituição do Estado determina a realização de uma eleição indireta nos últimos dois anos do mandato regular, caso haja dupla vacância no Executivo, mas, até então, a legislação não especificava como esse pleito deveria ser conduzido. Atualmente, o Palácio Guanabara está sem vice-governador desde o ano passado, após a saída de Thiago Pampolha (MDB), que deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Entre os pontos mais relevantes da nova proposta estão a implementação da votação aberta e a redução do prazo de desincompatibilização para aqueles que ocupam postos no Executivo. Tradicionalmente, o prazo para desincompatibilização é de seis meses antes de uma eleição. No entanto, conforme o texto aprovado pela Alerj, agora esse prazo será reduzido para 24 horas após a vacância do governo.
Processo Eleitoral e Indicações de Candidatos
O projeto também determina que a convocação do pleito deve ser feita pelo governador interino em até 48 horas após a saída do governador titular. Em um cenário onde Castro de fato deixe o cargo, essa convocação caberá ao presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, que assumiria temporariamente a função. Essa situação se deve ao afastamento do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), que foi preso e posteriormente liberado sob acusações de obstrução da Justiça.
Além disso, as eleições devem ocorrer dentro de um prazo de 30 dias após a vacância do Executivo fluminense. O novo projeto também especifica que os candidatos deverão ser indicados pelas próprias legendas. Esse aspecto gerou debates entre os parlamentares, uma vez que não há consenso sobre as candidaturas, nem mesmo dentro dos partidos PL e PT.
Com essas novas regras, espera-se um processo mais ágil e transparente, refletindo um movimento em direção à modernização do sistema eleitoral no Estado do Rio de Janeiro. As mudanças representam uma tentativa do Legislativo fluminense de se adaptar às necessidades políticas e administrativas atuais, possibilitando uma governança mais eficiente em tempos de incertezas políticas.

