Aliança Estratégica com o Eleitorado Evangélico
Em uma manobra para conquistar o apoio do eleitorado evangélico nas próximas eleições, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, filiado ao PSD, optou por Jane Reis, uma advogada do MDB e integrante da Assembleia de Deus, para compor sua chapa como vice. O anúncio oficial da candidatura de Jane está previsto para acontecer nesta quinta-feira, 19.
A inclusão de Jane na chapa só se concretizou após a desistência de Washington Reis, também do MDB, que desejava concorrer ao governo do estado. No entanto, ele enfrenta um processo judicial que questiona sua inelegibilidade. A análise do caso foi adiada na semana passada após um pedido de vista do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. Consciente da possibilidade de ficar de fora das urnas novamente, como ocorreu em 2022, Washington sugeriu que sua irmã assumisse a vaga.
Conforme informações apuradas pela reportagem, o cacique do MDB inicialmente sugeriu que o deputado estadual Rosenverg Reis, seu outro irmão, fosse o candidato. Contudo, o prefeito indicou sua preferência por uma mulher na posição, visando dialogar diretamente com o público feminino. Jane Reis, que possui raízes na Baixada Fluminense e é casada com um pastor da Assembleia de Deus, tem uma trajetória política que inclui uma candidatura à prefeitura de Magé em 2020, onde obteve aproximadamente 15 mil votos, ficando em terceiro lugar.
Movimentos em Direção ao Segmento Evangélico
Desde o ano passado, Eduardo Paes tem demonstrado seu interesse em estreitar laços com o eleitorado evangélico. Em dezembro, por exemplo, o prefeito esteve presente na inauguração do primeiro batistério público do Rio de Janeiro, evento realizado no local de fundação da Igreja Universal do Reino de Deus, estabelecida por Edir Macedo nos anos 70. Durante o evento, Paes afirmou que a cidade é “um lugar de fé” e enfatizou sua intenção de seguir “a palavra de Jesus Cristo”.
Além disso, a prefeitura do Rio já destinou R$ 1,9 milhão em patrocínios para a Marcha para Jesus, e R$ 350 mil para o evento JA de Verão 2025, organizado pela Igreja Adventista. Essas ações geraram polêmica e levaram o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas a acionar o Ministério Público Federal contra o prefeito, alegando que ele estava favorecendo desproporcionalmente o segmento evangélico.
Para assessores próximos a Paes, a incorporação da família Reis em sua aliança política é vista como uma estratégia eficaz para fortalecer sua base eleitoral e, ao mesmo tempo, mitigar a imagem de “candidato lulista”. Washington Reis, que preside o diretório estadual do MDB, mantém contatos com setores do bolsonarismo e ocupou cargos no governo de Cláudio Castro (PL) até o ano passado, quando foi afastado da secretaria estadual de Transportes. Desde então, ele e Paes se distanciaram em algumas pautas políticas.
Manutenção do Apoio ao Governo Lula
Apesar das mudanças na chapa e da nova aliança, aliados do prefeito afirmam que seu apoio ao presidente Lula permanece inalterado. A escolha de Jane Reis para a vice-presidência da chapa também implica na negociação de uma das vagas do Senado para os petistas, sendo Benedita da Silva a escolhida para esse cargo. A segunda vaga será utilizada para atrair outros partidos para sua frente eleitoral.
Com essa estratégia de ampliar seu arco de alianças e fazer concessões políticas, Eduardo Paes busca não apenas fortalecer sua candidatura, mas também garantir uma base mais sólida para enfrentar os desafios das urnas em outubro.

