Análise dos Empregos Formais Criados em Janeiro
Em janeiro, o Brasil criou 112.334 novas oportunidades de trabalho com carteira assinada. Esse número representa uma queda de 27,24% em comparação ao mesmo mês do ano anterior e é o mais baixo para essa época desde 2024. O saldo, que é a diferença entre admissões e desligamentos, elevou o total de trabalhadores formais no país para 48,57 milhões, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta terça-feira, 3, pelo Ministério do Trabalho.
No acumulado de 12 meses, o Brasil registrou 1,22 milhão de novas vagas sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o que representa um crescimento de 2,6% em relação ao período anterior. Apesar do avanço geral da economia, os dados do Caged indicam uma desaceleração na criação de postos de trabalho formais.
Impacto da Taxa de Juros na Criação de Vagas
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu o desempenho ao nível elevado da taxa básica de juros. Na primeira reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a Taxa Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a possibilidade de um corte no mês de março. “Nós já prevíamos isso desde 2024. O ritmo dos juros em vigor levaria a uma redução na velocidade de criação de novas vagas”, comentou Luiz Marinho em coletiva à imprensa.
Desempenho Setorial e Salário Médio
O resultado de janeiro foi especialmente impactado pelo setor de comércio, que apresentou um saldo negativo de 56,8 mil vagas. Por outro lado, a indústria e a construção civil tiveram desempenho positivo, com a adição de 54,9 mil e 50,5 mil postos de trabalho, respectivamente. O ministro Marinho destacou que “Janeiro, no comércio, historicamente apresenta resultados negativos”, uma vez que marca o término de contratos temporários estabelecidos no final do ano para atender à demanda das festividades.
Além disso, o salário médio de admissão subiu para R$ 2.428,67, refletindo um aumento de 1,77% em comparação com janeiro do ano anterior, o que equivale a um acréscimo de R$ 41,58 nos vencimentos.
Empregabilidade por Estados
Entre os estados brasileiros, Mato Grosso se destacou com o maior crescimento percentual de empregabilidade, alcançando uma alta de 1,92%. Santa Catarina e Goiás também apresentaram bons resultados, com crescimentos de 0,72% e 0,66%, respectivamente, conforme os dados do Caged. Em contrapartida, nove estados registraram saldos negativos, com os maiores destaques sendo Acre (-0,77%), Alagoas (-0,60%) e Rio de Janeiro (-0,33%).

