Fórum Estadual dos Pontos de Cultura do Rio de Janeiro
No último sábado (28), após quatro dias intensos de debates online, foi encerrado o VII Fórum Estadual dos Pontos de Cultura do Rio de Janeiro. Na ocasião, foram homologados os representantes fluminenses que participarão da 6ª Teia Nacional – Pontos de Cultura pela Justiça Climática, prevista para ser realizada em Aracruz, Espírito Santo, no primeiro semestre de 2026. A sétima edição deste fórum recebeu apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec-RJ) e promoveu discussões em torno de eixos temáticos apresentados pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), abordando tópicos como o “Plano Nacional de Cultura Viva para os próximos 10 anos”, a “Governança da Política Nacional de Cultura Viva” e as relações entre “Cultura Viva, Trabalho e Sustentabilidade da Criação Artística”.
A programação teve início na segunda-feira (23) e se estendeu ao longo da semana, culminando na assembleia final onde foram formuladas propostas para o V Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, com a eleição das representações regionais. No sábado, a votação das propostas a serem enviadas para o evento no Espírito Santo foi realizada, ao lado da eleição de delegados e delegadas, que foram confirmados durante a homologação.
Mudanças e Desafios
Inicialmente, o encontro estava agendado para acontecer presencialmente na Biblioteca Parque Estadual, localizada no Centro do Rio. Contudo, em virtude das fortes chuvas que afetaram várias regiões do estado, a reunião foi adaptada para o formato virtual. Thiago Sales, assessor-chefe de Cultura e Sociedade da Secec-RJ, e Dilma Negreiros, representante da CNPdC, mediavam os debates entre os participantes. “Embora este não tenha sido o formato ideal que almejamos ao longo de 11 anos, conseguimos reunir os pontos de cultura do Rio de Janeiro para estarem presentes na Teia Nacional em Aracruz”, afirmou Dilma Negreiros no início dos trabalhos do dia.
Representatividade e Inclusão
Durante um vídeo gravado para a reunião de encerramento, Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, enfatizou a ampla presença da rede de cultura no estado. “Os pontos de cultura estão distribuídos em 81 dos 92 municípios fluminenses, fazendo do Rio de Janeiro um exemplo para o Brasil”, declarou. Ela também destacou a relevância da cultura de matriz africana e indígenas, ressaltando a importância de estender a cultura para além das capitais.
Segundo Dilma Negreiros, a delegação que irá a Aracruz é representativa de uma verdadeira rede de cultural, que não se limita apenas às cidades grandes. “Cada cidade, por menor que seja, possui uma rica cultura que contribui significativamente para a economia local”, comentou. Diante das opções de votação, foram eleitos 30 delegados para representar o estado, incluindo 13 pessoas de matriz africana, refletindo a diversidade do grupo.
Um Olhar sobre o Futuro da Cultura Viva
O diretor da Política Nacional de Cultura Viva, João Pontes, ressaltou a importância deste momento para a rede que, atualmente, conta com quase 15 mil pontos de cultura em todo o Brasil. “Triplicamos a quantidade de pontos de cultura em apenas três anos, resultado de grande mobilização e investimento”, observou. Ele também destacou a necessidade de garantir condições adequadas para que os pontos de cultura desenvolvam suas atividades e projetos, visando um futuro melhor para todos os envolvidos.
João também se solidarizou com os afetados pelas recentes chuvas e discutiu sobre a justiça climática, tema central da 6ª Teia Nacional. “Os grupos de base comunitária são fundamentais para enfrentar essas questões, mas também são os mais impactados pelos desastres climáticos”, concluiu.
Educação e Cidadania Cultural
Os participantes do fórum não falavam apenas em nome de instituições, mas sim em defesa de comunidades, mestres e jovens que sustentam a vitalidade da Política Nacional de Cultura Viva. “Cada ponto de cultura é uma verdadeira escola de cidadania e resistência, e precisamos garantir que a Teia dos Sonhos seja realizada de acordo com a grandeza da nossa rede”, enfatizou Dilma Negreiros.
Destaques e Avanços na Cultura de Matriz Africana
O VII Fórum Estadual dos Pontos de Cultura coincidiu com o I Fórum Cultura Viva de Matriz Africana, realizado entre os dias 26 de fevereiro e 1º de março. Esses encontros proporcionaram um ambiente para discutir temas como racismo ambiental e o apoio aos povos de matriz africana. O resultado foi significativo, com a eleição de 16 mulheres para a delegação que representará o estado na Teia Nacional.
Mestre Aderbal Ashogun Moreira, coordenador do Pontão de Cultura Articula Matriz Africana, ressaltou a relevância desse processo para a articulação de saberes ancestrais e políticas públicas: “Discutir justiça climática sem abordar a questão racial é impossível”. O encerramento do I Fórum Cultura Viva de Matriz Africana ocorreu no Museu Casa Darcy Ribeiro, em Maricá, e incluiu uma imersão cultural com uma feijoada comunitária.

