Reflexões sobre Acúmulo e Suas Consequências
O Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) abre as portas, na próxima sexta-feira, dia 6, às 19h, para a exposição individual intitulada ‘Monturo e outros tantos’, do artista visual Gustavo Torrezan. Com curadoria de Ana Paula Lopes, esta mostra apresenta uma rica diversidade de obras, incluindo pinturas, gravuras, desenhos, objetos e instalações. O público poderá visitar a exposição até o dia 12 de abril, com entrada gratuita e classificação livre.
A proposta de Gustavo Torrezan investiga como o acúmulo – seja de poder, conhecimento, recursos financeiros ou mesmo objetos cotidianos – influencia a relação da sociedade contemporânea com a cultura e a natureza. Com um olhar crítico, a exposição convida o espectador a refletir sobre os modos de produção, a exploração da natureza e as consequências que essas práticas acarretam na atualidade.
O termo ‘Monturo’, que dá nome à mostra, remete a um amontoado de diversos elementos como plantas, ferramentas e máquinas, especialmente no contexto agrícola. Em seu texto de divulgação, Torrezan levanta uma questão inquietante: por que acumulamos tanto? Ele argumenta que, ao invés de resolver os problemas existentes, esse acúmulo está por trás de crises globais, como pandemias, desigualdades sociais e as mudanças climáticas. ‘Vivemos um paradoxo’, afirma o artista, ‘nunca tivemos tecnologias tão avançadas, mas também nunca estivemos tão perto de um colapso ambiental e social’.
O Diálogo com o Antropoceno
As obras expostas estabelecem um diálogo significativo com o conceito de Antropoceno, que retrata uma era em que as ações humanas impactam de forma decisiva o equilíbrio do planeta. ‘A exposição denuncia como o desequilíbrio entre a vida humana e os sistemas naturais se relaciona diretamente com a lógica do acúmulo e da exploração’, destaca o texto de apresentação.
Um dos destaques da mostra é a instalação que leva o mesmo nome da exposição, ‘Monturo’. Esta obra convida os visitantes a contemplar as complexas relações entre poder, tecnologia e natureza, propondo uma crítica construtiva sobre os caminhos que a sociedade tem seguido.
Sobre Gustavo Torrezan
Gustavo Torrezan é um artista, pesquisador e educador que vive entre Belo Horizonte e Piracicaba, cidade paulista onde nasceu. Atualmente, ele leciona no curso de Artes Visuais da UFMG e suas obras estão presentes em importantes coleções de museus brasileiros, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), além de instituições acadêmicas como a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal do Pará (UFPA).
Nas últimas exposições, destacam-se sua participação em ‘Histórias das Ecologias’, no MASP, e ‘As Vidas da Natureza Morta’, no Museu Afro Brasil. Além disso, Torrezan apresentou exposições individuais, como ‘As Coisas que Não Estão Escritas Também Movem o Mundo’, na Casa do Olhar Luiz Sacilotto, em Santo André, e ‘Incendiar a Plantação, Fertilizar Imaginários’, no Museu de Arte de Ribeirão Preto.
A Curadora em Foco
A curadora Ana Paula Lopes, natural de São Caetano do Sul, é uma profissional respeitada no campo da arte, atuando como pesquisadora e educadora em São Paulo. Com mestrado em História da Arte pela Unifesp e graduação na PUC-SP, Lopes é curadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo e professora de Artes Visuais na Faculdade Santa Marcelina.
Seu trabalho de pesquisa aborda a geopolítica na curadoria, fundamentado no pensamento de Milton Santos e na história das exposições na América Latina. Além de desenvolver exposições notáveis, como ‘Marga Ledora: A Linha da Casa’, a curadora também contribuiu com publicações em revistas reconhecidas no Brasil e no exterior, solidificando sua influência no cenário artístico contemporâneo.

