Mudanças nas Regras do Abono Salarial
O Ministério do Trabalho divulgou que, até 2030, cerca de 4,56 milhões de trabalhadores poderão ficar sem o abono salarial, devido a alterações nas regras de concessão do benefício. A previsão está descrita no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), que foi recentemente apresentado ao Congresso Nacional pela equipe econômica do governo.
As mudanças, que começaram a valer neste ano, foram aprovadas pelo Congresso e visam uma correção do valor do abono apenas pela inflação. Essa reestruturação impacta diretamente o número de beneficiários, que deverá aumentar a cada ano.
Regras Anteriores e Novas Diretrizes
Leia também: Imposto de Renda Zero Beneficia Mais de 1,3 Milhão de Trabalhadores no RJ
Leia também: Brasil Registra 66,8% de Trabalhadores Contribuintes para a Previdência Social
Até 2025, o abono salarial era concedido anualmente, com valor de até um salário mínimo, a trabalhadores que recebiam até dois salários mínimos no ano-base e que tivessem trabalhado com carteira assinada por pelo menos 30 dias nesse período.
Com as novas diretrizes, a partir de 2026, o limite de renda para se qualificar ao abono será ajustado anualmente apenas pela inflação. Assim, o trabalhador que, em 2024, obtiver 1,96 salário mínimo não terá mais direito ao benefício, o que representa uma perda imediata de acesso para 559 mil pessoas.
Projeções para os Próximos Anos
Os efeitos das novas regras se intensificam nos próximos anos. Em 2027, o limite passará a ser 1,89 salário mínimo, resultando na exclusão de 1,58 milhão de trabalhadores. Já para 2028, esse limite ficará em 1,83 salário mínimo, fazendo com que 2,58 milhões de trabalhadores percam o benefício.
Leia também: Caixa Inicia Pagamento da Bolsa Família de Abril com Benefícios Adicionais
Leia também: Gás do Povo: 469 mil novas famílias no Rio de Janeiro recebem benefício em março
Em 2029, o teto será reduzido para 1,79 salário mínimo, o que fará com que o número de beneficiários caia para 3,51 milhões. Para 2030, o limite final será de 1,77 salário mínimo, totalizando 4,56 milhões de pessoas fora do programa.
Impacto Financeiro e Críticas ao Benefício
Embora o governo projete economia com a diminuição do número de beneficiários, a expectativa é que os gastos totais com o abono salarial aumentem. O número de trabalhadores com carteira assinada deve crescer de 59,86 milhões em 2026 para 67 milhões em 2030, provocando um aumento dos gastos anuais com o benefício, que podem saltar de R$ 34,36 bilhões para R$ 39,27 bilhões nesse período.
De fato, o abono salarial é frequentemente criticado por analistas como um benefício que não atende adequadamente a população mais necessitada. O economista Fabio Giambiagi, em uma análise de 2022, argumentou que o abono não é eficaz no combate ao desemprego ou à pobreza, uma vez que seus beneficiários já estão empregados e não pertencem à parcela mais pobre da população.
Além disso, pesquisa realizada pela equipe do ex-ministro Paulo Guedes indicou que a maior parte do benefício é direcionada à camada média da sociedade, contribuindo pouco para a redução da desigualdade econômica ou pobreza, embora ajude a amenizar a desigualdade entre trabalhadores formais.
Considerações Finais
Em meio a essas mudanças e críticas, o governo busca garantir a sustentabilidade do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e a responsabilidade fiscal a longo prazo. A transição gradual permite que tanto o mercado de trabalho quanto os trabalhadores se adaptem à nova realidade, focando o benefício nas parcelas mais vulneráveis da população. No entanto, a eficácia e o alcance do abono salarial permanecem em debate, considerando as diferentes perspectivas sobre seu impacto social e econômico.

