Brasil e União Europeia Celebram Oportunidade Histórica
No último dia 16, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, saudaram a iminente assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Este tratado é considerado um marco para a prosperidade econômica e o multilateralismo, após mais de 20 anos de negociações intensas.
A assinatura do acordo, que ocorrerá neste sábado, dia 17, em Assunção, capital do Paraguai, promete criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Combinando forças, os dois blocos econômicos representam aproximadamente 30% do PIB global e abrangem um mercado de mais de 700 milhões de consumidores.
Desafios e Oportunidades no Caminho do Acordo
No entanto, o pacto enfrenta a resistência de agricultores e pecuaristas de vários países europeus, que têm se mobilizado em protestos contra a proposta. Durante uma reunião no Rio de Janeiro, Lula, um dos grandes defensores do pacto, afirmou que o acordo é benéfico tanto para os países do Mercosul quanto para a União Europeia, destacando que é “muito bom para o mundo democrático e para o multilateralismo”.
Von der Leyen, que elogiou a postura de Lula nas negociações, ressaltou que o acordo “envia uma mensagem contundente: este é o poder da cooperação e da abertura”. A alta funcionária europeia destacou a importância da parceria, afirmando que, através desse pacto, é possível criar verdadeira prosperidade.
O Contexto Global e a Relevância da Parceria
A conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia se dá em meio a um cenário de incertezas globais, especialmente com o aumento de políticas protecionistas e as ameaças tarifárias proferidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Recentemente, Trump sugeriu a imposição de tarifas a países que não apoiarem seus planos de anexação da Groenlândia, uma questão geopolítica que gera repercussões em diversos setores.
Sobre a colaboração com a União Europeia, Lula enfatizou que a relação entre os blocos vai além da dimensão econômica. Ele sublinhou que ambos compartilham valores fundamentais, como o respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos.
Assinatura do Tratado e Expectativas Futuras
A assinatura do tratado em Assunção contará com a presença dos presidentes do Paraguai, Santiago Peña, e do Uruguai, Yamandú Orsi. A presença do argentino Javier Milei ainda não está confirmada. Vale ressaltar que Lula não participará da cerimônia, pois o evento foi inicialmente planejado de maneira ministerial, com os presidentes sendo convidados em um momento posterior.
Desde o início de seu terceiro mandato, em 2023, Lula tem se posicionado como um fervoroso apoiador deste acordo, que promete abrir novos mercados para o robusto setor do agronegócio brasileiro.
Expectativas de Comércio e Restrições
Von der Leyen argumentou que o tratado “vai multiplicar as oportunidades como nunca antes, proporcionando acesso mútuo a mercados estratégicos, com regras claras e previsíveis, padrões comuns e cadeias de abastecimento que se transformarão em autopistas para o investimento”. Para o Brasil, essa é uma chance significativa de incrementar suas exportações de produtos como carne, soja, arroz e café, além de abrir o mercado para veículos, maquinários, queijos e vinhos europeus, entre outros produtos.
No entanto, o temor de setores europeus em relação à chegada de produtos do Mercosul, que são considerados mais competitivos devido a normas de produção menos rigorosas, pode dificultar a implementação do acordo. A resistência de países como França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria foi expressa de forma negativa em relação ao tratado, embora a União Europeia tenha aprovado o acordo em 9 de janeiro.
Elogios e Novas Parcerias
Durante o anúncio, Von der Leyen elogiou fervorosamente a liderança de Lula, afirmando que ele é “o líder de que precisamos no mundo atual”. Ela destacou o compromisso do presidente brasileiro com valores fundamentais como democracia e respeito pelas normas internacionais. Além do acordo UE-Mercosul, foi mencionado que Europa e Brasil também estão avançando em negociações sobre minerais críticos, essenciais para a transição digital e limpa, além da independência estratégica em um mundo onde a demanda por minerais está em ascensão.

