Desafios do Aluguel de Curta Temporada no Rio de Janeiro
O cenário dos aluguéis de curta temporada no Rio de Janeiro está gerando intensos debates entre moradores de condomínios, administradores e especialistas. A ausência de uma regulamentação clara sobre o tema tem levado a conflitos crescentes, especialmente neste fim de ano, quando a demanda por locações dispara. As divergências sobre as práticas de aluguel refletem a falta de consenso em relação às consequências e soluções para essa realidade.
No Edifício Costa do Atlântico, localizado em Ipanema, a locação foi proibida após incidentes recorrentes de perturbação, como o aumento do número de hóspedes, desordens e até tentativas de suborno, conforme relatou o síndico Ayrton Laurilo Netto à imprensa. “Encontramos preservativos usados no playground”, revelou Netto. “Houve registros de locatários embriagados dormindo no chão do elevador, e nossos moradores, assim como o circuito de segurança, perceberam excessos no número de hóspedes. Inclusive, enfrentamos tentativas de suborno na portaria.”
O Equilíbrio entre Turismo e Convivência
Por outro lado, o administrador Rick Aragão, que atua no Leme, defende a busca por um equilíbrio saudável entre o turismo e o bem-estar dos moradores. Ele argumenta que um diálogo eficaz e uma orientação adequada podem ajudar a minimizar os conflitos. “Cada condomínio possui suas particularidades. Assim, é essencial que administradores e proprietários orientem corretamente os hóspedes”, afirmou Aragão em entrevista.
Os dados da Embratur revelam que, entre janeiro e novembro deste ano, o Rio de Janeiro recebeu 1,97 milhão de turistas estrangeiros, o que representa um aumento de 46% em comparação ao mesmo período de 2022. Para o intervalo entre 21 de dezembro e a primeira semana de janeiro de 2026, as reservas aéreas cresceram 10,7%, totalizando 67,5 mil passagens emitidas.
Crescimento na Oferta de Aluguéis Temporários
A oferta de imóveis para aluguel de curta duração também apresentou um aumento significativo. Segundo o Secovi-Rio, o número de propriedades anunciadas cresceu 25%, um movimento que começou a se intensificar desde novembro. “As plataformas de aluguel estão aquecidas. Desde o mês passado, temos observado transações em um ritmo característico da alta temporada, que deverá se prolongar até o período pós-carnaval”, comentou Leo Schneider, presidente do Secovi-Rio.
Iniciativas Legislativas para Regular o Setor
No âmbito legislativo, o debate sobre a regulamentação dos aluguéis de curta duração teve início em março, com a criação de uma comissão especial para discutir o assunto. Propostas como a proibição da locação temporária na orla e a criação de um cadastro municipal de anfitriões foram debatidas. Em 15 de dezembro, o relatório final da comissão recomendou a votação em plenário e enfatizou a necessidade de uma legislação robusta, que promova segurança, igualdade fiscal e ordenamento urbano. Entretanto, com o recesso parlamentar, a definição sobre novas normas ficou adiada para 2026.
Visões das Plataformas de Aluguel
O Airbnb, uma das principais plataformas de aluguel, manifestou sua oposição a restrições que possam prejudicar a economia local, reforçando a legalidade das atividades de aluguel e mantendo um diálogo aberto com as autoridades, além de incentivar boas práticas na área. A Booking.com também destacou o Rio de Janeiro como um destino preferido para janeiro de 2026, apresentando um crescimento de 12% nas buscas em relação ao ano anterior.

