Bad Bunny e a Controvérsia no Super Bowl
O renomado artista latino Bad Bunny, que atualmente é um dos músicos mais escutados globalmente, foi a grande atração do intervalo do Super Bowl 2026. No entanto, a performance não se limitou ao entretenimento; rapidamente, tornou-se um campo de batalha político. As críticas do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acentuaram a tensão em torno do evento.
Essa controvérsia vai além da música e toca em temas cruciais como a política anti-imigração de Trump e o orgulho da identidade latino-americana, assuntos que permeiam o aclamado álbum ‘Debí Tirar Más Fotos’, lançado recentemente por Benito Antonio Ocásio Martínez, nome verdadeiro do cantor, natural de Porto Rico.
O anúncio da participação de Bad Bunny foi feito em 28 de setembro de 2025 e logo gerou reações adversas de Trump. O presidente, em declarações públicas, considerou a escolha “absolutamente ridícula” e afirmou que sequer conhecia o artista, acusando-o de “espalhar ódio” através de suas mensagens.
Essas afirmações logo viralizaram nas redes sociais, provocando uma onda de comentários e análises na mídia. O assunto ganhou destaque por conta da relevância política de Bad Bunny, que é amplamente reconhecido por sua defesa da cultura latina e por criticar as políticas anti-imigração do governo.
Durante o show do intervalo do Super Bowl, realizado em 8 de fevereiro de 2026, o cantor fez uma apresentação marcante. Em seus discursos, ele não hesitou em manifestar sua oposição ao ICE, o Serviço de Imigração e Fronteira dos EUA. Em um momento significativo, ao receber três prêmios no Grammy, ele gritou: “Fora, ICE”.
Imigração e Intimidação: A Ameaça de Trump
Antes do evento, um assessor da Casa Branca chegou a insinuar que agentes de imigração poderiam ser enviados ao estádio da Califórnia durante a partida, algo nunca visto na história do Super Bowl. Embora a ameaça não tenha se concretizado, muitos interpretaram essa declaração como uma tentativa de intimidar o numeroso público latino aguardando a performance de Bad Bunny.
Além disso, aliados de Trump criticaram a natureza da apresentação, majoritariamente em espanhol, levantando questionamentos sobre a identidade nacional e o que significa ser “americano”. Bad Bunny, por sua vez, faz questão de se expressar em espanhol, tanto em suas músicas quanto em entrevistas, afirmando que essa é uma forma de resgatar a língua e a cultura da América Latina.
“Gracias, mami, por parirme aquí” é uma das muitas expressões que traduzem seu orgulho por suas raízes. Nascido em Porto Rico, um território dos EUA, Benito tem cidadania americana, mas vive em uma realidade política complicada. Os porto-riquenhos não têm direito a voto nas eleições, embora estejam sob a jurisdição do Congresso dos EUA, que controla aspectos fundamentais como as forças armadas e comércio.
A Voz dos Porto-Riquenhos e a Luta por Autonomia
No seu mais recente álbum, Bad Bunny aborda questões que criticam o status político de Porto Rico e refletem sobre os protestos pela autonomia da ilha, com faixas como ‘Lo que le pasó a Hawaii’. Essa postura é vista por muitos especialistas como um ato de resistência cultural, simbolizando a luta por reconhecimento e direitos.
O embate entre Trump e Bad Bunny revela um dilema mais amplo: de um lado, um presidente nacionalista que defende uma identidade americana uniforme; do outro, um artista que valoriza e celebra a diversidade cultural, destacando as histórias de pessoas que, em busca de melhores condições de vida, abandonam suas terras natais.
Embora o Super Bowl tenha sido uma plataforma para Bad Bunny brilhar, a situação nos revelou um importante debate sobre identidade, cultura e direitos dos imigrantes nos Estados Unidos, temas cada vez mais relevantes na sociedade contemporânea.

