Resultados Favoráveis da Balança Comercial
Beneficiada pela redução das importações e pelo incremento nas vendas de petróleo, a balança comercial do Brasil obteve o quarto maior superávit para o mês de fevereiro desde o início da série histórica, conforme divulgado nesta quinta-feira (5) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Em fevereiro, as exportações superaram as importações em impressionantes US$ 4,208 bilhões, uma grande diferença em relação ao déficit de US$ 467 milhões registrado no mesmo mês de 2025.
No ano anterior, o déficit significativo se deveu à importação de uma plataforma de petróleo, um fator que não se repetiu em fevereiro deste ano, permitindo que a balança comercial voltasse aos números positivos. O superávit deste mês só é inferior ao recorde histórico de US$ 5,13 bilhões de fevereiro de 2024, além de resultados de 2022 e 2017.
Dados das Exportações e Importações
As estatísticas do Mdic mostram que o valor das exportações em fevereiro alcançou US$ 26,306 bilhões, representando um aumento de 15,6% em comparação ao mesmo mês do ano passado. Em contrapartida, as importações totalizaram US$ 22,098 bilhões, evidenciando uma queda de 4,8% na mesma comparação. Este montante de exportações é o maior já registrado para meses de fevereiro desde 1989, enquanto as importações marcam o segundo melhor resultado na série histórica, ficando atrás apenas do mesmo mês do ano passado.
Superávit Acumulado nos Dois Primeiros Meses do Ano
No acumulado dos dois primeiros meses de 2024, a balança comercial apresenta um superávit de US$ 8,023 bilhões, um crescimento expressivo de 329% em relação ao mesmo período do ano anterior, que também foi impactado pela importação de plataformas de petróleo. Este resultado é o segundo mais elevado para os meses de janeiro e fevereiro, perdendo apenas para o resultado positivo de 2024.
A composição das exportações e importações no bimestre ficou assim: as exportações somaram US$ 50,922 bilhões, um aumento de 5,8% em relação ao ano anterior, enquanto as importações totalizaram US$ 42,898 bilhões, resultando em uma redução de 7,3% na mesma comparação.
Análise por Setores e Produtos
Ao analisar a variação das exportações por setores da economia, em janeiro, os resultados foram os seguintes: a agropecuária cresceu 6,1%, com um aumento de 1,7% no volume e de 4,4% no preço médio; a indústria extrativa teve uma alta impressionante de 55,5%, impulsionada principalmente pelo petróleo, que apresentou um aumento de 63,6% no volume, apesar de uma queda de 3,5% no preço médio; e a indústria de transformação cresceu 6,3%, com um aumento de 4% no volume e de 0,8% no preço médio.
Os principais produtos que impulsionaram as exportações em janeiro incluem: na agropecuária, a soja (+15,5%); frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas (+33,9%); e milho não moído (+8%); na indústria extrativa, os óleos brutos de petróleo (+76,5%); minério de ferro e concentrados (+20,9%); e minérios de cobre e concentrados (+131,2%); e na indústria de transformação, carne bovina (+41,8%); produtos semiacabados de ferro ou aço (+89,7%); e ouro não monetário, excluindo minérios de ouro (+71,9%).
Perspectivas para o Futuro
O Mdic projeta para este ano um superávit comercial que pode variar entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. As exportações devem encerrar o ano entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, enquanto as importações estão previstas para ficar entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões. Essas projeções são atualizadas trimestralmente, e novas estimativas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 devem ser divulgadas em abril. No ano passado, a balança comercial alcançou um superávit de US$ 68,3 bilhões, e o recorde foi em 2023, com um resultado positivo de US$ 98,9 bilhões.
As expectativas do Mdic são mais otimistas do que as previsões de instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central com analistas de mercado, a balança comercial deve terminar o ano com um superávit de US$ 68,63 bilhões.

