Reflexões sobre a Ausência da Família Bolsonaro
No cenário político que se desenha para as eleições nacionais e estaduais, a atuação da família Bolsonaro no Rio de Janeiro volta a ser pauta de discussões. O ex-presidente, que exerceu oito mandatos pelo estado, e seu filho, atualmente senador, têm suas trajetórias analisadas sob a ótica da ineficiência. O parlamentar, eleito com base em seu sobrenome, encerra seu mandato sem deixar um legado significativo, refletindo a falta de ações concretas durante sua passagem pela Assembleia Legislativa e pelo Senado.
A ausência de apoio efetivo ao Rio de Janeiro durante o governo de Jair Bolsonaro é um dos principais pontos de crítica. A falta de atenção do senador Flávio Bolsonaro em relação a questões que impactam diretamente a vida dos cidadãos e a economia local é motivo de preocupação. Durante os quatro anos de governo, a capital fluminense enfrentou sérios problemas relacionados à infraestrutura, como as dificuldades com os acessos rodoviários, que ficaram paralisados por questões burocráticas e desinteresse político em resolver obstáculos.
Um exemplo emblemático é a nova subida da Serra de Petrópolis. Apesar de as obras já estarem adiantadas, apenas agora a construção voltará a ser tocada, enquanto, nos quatro anos anteriores, não houve progresso. O mesmo se aplica à descida da serra das Araras, na Via Dutra, uma rodovia vital para a economia do país, que só teve seu processo desbloqueado no último ano. Adicionalmente, a ligação sul da BR 101, que necessitava de duplicação em direção a Angra dos Reis, foi outra obra que começou a ser licitada apenas sob o novo governo.
Embora a proposta de um Estado mais enxuto e liberdade econômica tenha sua relevância, os frutos do mandato de Bolsonaro parecem ter sido colhidos principalmente por ministros competentes como Paulo Guedes e Tarcísio de Freitas, enquanto o Rio ficou à margem dessa dinâmica. A falta de ação em pleitos fundamentais, como a proposta de concentrar o setor de câmbio dos bancos na cidade, revela um cenário de negligência. O sonho de Roberto Campos de abrir contas em moeda estrangeira ainda não se concretizou, o que contribuiu para a migração de economistas qualificados para São Paulo.
A indicação de Flávio Bolsonaro, sem uma trajetória sólida como líder político, levanta questões sobre a real intenção por trás dessa escolha. A visão de um candidato que teve 20 anos de mandatos no Rio, agora se apresentando ao Senado, parece mais uma tentativa de manter a defesa da família do que de representar a vontade do eleitor. Essa estratégia levanta críticas, especialmente entre os eleitores de Santa Catarina, que se sentiram desconsiderados com a imposição de um candidato sem expressão política.
A insegurança política da família Bolsonaro no cenário atual evidencia um líder carismático, mas isolado, incapaz de formar alianças e de reconhecer apoiadores. A recente disputa pela reeleição, marcada por um companheiro de chapa que não teve voz no processo, exemplifica a fragilidade dessa estratégia política.
Kassab e o Novo Cenário Político
Em contrapartida, Gilberto Kassab tem demonstrado habilidade política ao integrar em seu partido representantes do centro democrático. O país parece estar em um momento de cansaço em relação à polarização, e a falta de identificação com a figura do ex-presidente, que é vista como trapalhona, só acentua essa necessidade de renovação. Kassab se desponta como uma opção viável em busca de um novo caminho para o Brasil, afastando-se da tradicional dicotomia que tem dominado o cenário político nacional.
Assim, a falta de ações concretas da família Bolsonaro no Rio de Janeiro gera um espaço para novas lideranças que busquem, através de propostas viáveis e ações efetivas, responder aos anseios da população em busca de melhorias em sua qualidade de vida e no fortalecimento da economia local.

