Posicionamento Brasileiro na ONU
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou sua posição tradicional em defesa da soberania nacional, decidindo se manifestar na Assembleia Geral da ONU sobre os recentes ataques à Venezuela. A intenção é rechaçar intervenções externas e sustentar a integridade territorial dos países da América do Sul.
De acordo com diplomatas brasileiros, a expectativa é que a região se mantenha distante da “lei da selva”, enfatizando que a transição de poder na Venezuela deve ser conduzida pelos próprios venezuelanos, assegurando o controle sobre seus recursos naturais. Essa abordagem, segundo analistas, reflete um compromisso com a estabilidade regional.
Discurso do Embaixador e Alinhamento Internacional
O embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese, lerá um discurso que ecoa a nota previamente divulgada pelo presidente Lula. O texto condena qualquer ameaça à soberania das nações e defende a manutenção do direito internacional, alinhando-se com a posição de diversos países da América Latina, da Europa e até da Ásia, que também se manifestaram contra os ataques.
No entanto, apesar do apoio retórico, o Brasil está ciente de que da reunião no Conselho de Segurança da ONU não se espera nenhum avanço concreto. As previsões indicam que o encontro servirá mais como um espaço para a Venezuela e os Estados Unidos apresentarem suas narrativas sobre os conflitos, sem que ações específicas sejam tomadas.
Resposta da América Latina e Nota Conjunta
Na semana anterior à reunião na ONU, vários países da América Latina se uniram em uma nota conjunta, divulgada no domingo (4), reafirmando sua condenação aos ataques dos Estados Unidos à Venezuela. Entre os signatários estão Brasil, Chile, México, Colômbia, Espanha e Uruguai, que expressaram rejeição a qualquer tentativa de controle sobre a administração venezuelana, além da apropriação de seus recursos naturais, especialmente o petróleo.
A nota, que foi elaborada pelos chanceleres dos seis países, recebeu a aprovação dos presidentes e foi divulgada em resposta a declarações do ex-presidente Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos buscariam administrar a Venezuela e controlar a exploração de petróleo no território. Para evitar reações mais intensas por parte dos EUA, o documento optou por não mencionar os nomes de Trump ou do atual presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Futuro da Relação Brasil-Venezuela
A articulação entre os países signatários visa estabelecer um caminho pautado pelo diálogo e por uma transição pacífica na Venezuela. O objetivo é manter a América do Sul como uma região de paz e estabilidade, livre de intervenções externas que possam agravar as tensões locais. Essa postura reflete uma tentativa de fortalecer os laços regionais e garantir que a soberania das nações seja respeitada.
Enquanto isso, a comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos na Venezuela, aguardando por um possível desfecho que possa trazer estabilidade ao país e ao resto da região. O Brasil, ao adotar essa linha diplomática, busca não apenas defender seus interesses, mas também promover a paz e a cooperação entre as nações vizinhas.

