Evento Promove Diálogo sobre Preservação Cultural
Entre os dias 11 e 13 de outubro, Brasília será palco de um evento internacional voltado à proteção dos patrimônios material e imaterial. Durante o encontro, a cidade receberá o título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural. A reunião, que acontece no Salão Nobre do Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, conta com a participação do Comitê Setorial de Patrimônio Cultural da União de Cidades Capitais Ibero-Americanas (UCCI).
O evento, previsto para iniciar às 14h, vai abordar estratégias para inovação em políticas públicas e intercâmbio de boas práticas de gestão entre as cidades participantes. O secretário de Relações Internacionais do DF, Paco Britto, destacou que a concessão desse novo título representa um passo importante para a projeção internacional de Brasília, reafirmando sua posição como um centro de diálogo, diplomacia e preservação do patrimônio cultural.
História e Reconhecimento
Brasília, reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 1987, possui uma rica história ligada à arquitetura e cultura. A capital é considerada um ícone do modernismo brasileiro, refletindo a visão inovadora de seus criadores. O evento também servirá para aprofundar discussões iniciadas em Lima, no Peru, e culminará na elaboração de uma Carta de Compromisso voltada à preservação, valorização e gestão sustentável do patrimônio cultural.
A UCCI, que conta com 29 cidades de 24 países ibero-americanos, oferece uma plataforma para que os municípios compartilhem experiências e enfrentem desafios comuns. Juntas, essas cidades abrigam cerca de 76 milhões de falantes de espanhol e português, evidenciando a diversidade cultural presente na região.
Características Únicas e Desafios
A pesquisadora em arquitetura Angelina Nardelli Quaglia, da Universidade de Brasília (UnB), ressalta a singularidade cultural da capital, afirmando que Brasília é reconhecida pela sua arquitetura e pelos processos culturais que se desenrolam na cidade. “A diversidade cultural aqui é uma marca fundamental, com influências que vêm de todas as partes do país”, observa.
Entretanto, a especialista lembra os desafios enfrentados ao longo da história da cidade, especialmente durante a ditadura militar, quando não houve legislação efetiva para a manutenção do patrimônio. “Houve um hiato significativo na legislação, que só começou a ser corrigido após o reconhecimento da memória como patrimônio pela Unesco em 1987”, diz.
Pavimentando o Futuro da Preservação
Recentemente, Brasília aprovou o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), um passo necessário, mas que, segundo Nardelli, ainda demanda mais recursos e políticas públicas eficazes. “Apesar de ter um marco importante, como o tombamento, a manutenção do patrimônio na capital ainda carece de atenção. Brasília deveria ser um exemplo, mas isso ainda está longe de ser uma realidade”, conclui.
O evento que se aproxima é uma oportunidade não apenas de celebrar o título conquistado, mas também de promover um debate essencial sobre a preservação do patrimônio cultural, um dos legados mais valiosos de Brasília e de seu povo.

