Aumento de Casos de Câncer Colorretal em Jovens
Recentes estudos têm mostrado um crescimento preocupante no número de casos de câncer colorretal entre pessoas com menos de 50 anos. Um estudo publicado no ano passado no Journal of the National Cancer Institute revelou que indivíduos nascidos na década de 1990 têm quatro vezes mais chances de desenvolver essa doença em comparação aos que nasceram na década de 1960. Essa informação é alarmante, especialmente considerando que o câncer colorretal se tornou a principal causa de morte por câncer entre jovens nos Estados Unidos, conforme apontado por um estudo recente no periódico JAMA.
Helen Coleman, professora de oncologia da Queen’s University Belfast, enfatiza a gravidade da situação: “É realmente assustador”, diz ela, ao mesmo tempo que faz uma ressalva sobre as estatísticas, já que a maioria dos casos ainda ocorre em pessoas mais velhas. De fato, apenas 6% dos diagnósticos de câncer colorretal são feitos em indivíduos com menos de 50 anos, segundo uma pesquisa realizada na Irlanda do Norte. Apesar disso, a estabilização ou até diminuição das taxas em populações mais velhas se deve, em parte, aos avanços na detecção precoce.
Desafios no Diagnóstico Precoce
Um dos grandes desafios enfrentados por jovens é a crença de que eles têm um risco menor de desenvolver câncer colorretal, o que leva a um número reduzido de exames preventivos. Isso pode resultar em diagnósticos tardios, como ocorreu com o ator James Van Der Beek, que foi diagnosticado em 2023. “Eu ia à sauna, tomava banhos frios, etc., e tinha câncer em estágio 3 sem saber”, lamentou o pai de seis filhos.
Fatores de Risco e Causas Desconhecidas
Os fatores de risco para o câncer colorretal em jovens estão associados a hábitos de vida não saudáveis, incluindo sobrepeso, má alimentação, falta de atividade física, consumo de álcool e tabagismo. Porém, esses fatores não conseguem explicar por completo o aumento significativo observado em um curto período de tempo. Coleman aponta que muitos pacientes jovens diagnosticados, como Van Der Beek, levavam vidas relativamente saudáveis.
Jenny Seligmann, pesquisadora da Universidade de Leeds, compartilha a incerteza sobre as causas do aumento. “Não sabemos exatamente o que está por trás disso”, disse ela à AFP. Os pesquisadores estão agora explorando outras possibilidades, como o papel da microbiota intestinal, um complexo ecossistema de micróbios que ainda não é totalmente compreendido.
Exames Precoces e Novas Descobertas
Um estudo recente publicado na revista Nature trouxe à tona uma nova possibilidade: mutações de DNA causadas por uma toxina chamada colibactina, produzida pela bactéria E. coli, foram identificadas com maior frequência em jovens com câncer colorretal em comparação a pacientes mais velhos. Essa descoberta, embora ainda exija mais investigação, é considerada uma “pista importante” por Coleman.
Além disso, há evidências sugerindo que o uso frequente de antibióticos pode estar relacionado ao aumento dos casos de câncer colorretal em jovens. Seligmann destaca que a diversidade entre os subtipos de câncer colorretal também sugere que as causas podem ser múltiplas, o que torna a identificação de uma única causa um desafio considerável.
Antes de seu falecimento, Van Der Beek, que apresentava um estado de saúde visivelmente fragilizado, fez um apelo público para que todos, especialmente aqueles com 45 anos ou mais, realizassem exames de rastreamento. “Tenho vontade de gritar aos quatro ventos: se você tem 45 anos ou mais, consulte um médico!” Seu testemunho ressalta a importância da detecção precoce e da conscientização sobre essa doença que, apesar de ainda prevalecer em pessoas mais velhas, está se tornando uma preocupação crescente entre os jovens.

