O Carnaval e Sua Importância Econômica
O Carnaval de 2026, que promete ser um dos maiores de todos os tempos, vai muito além de uma simples festa. Ele serve como um forte indicador de que o setor de eventos culturais e de entretenimento desempenha um papel crucial na economia brasileira. Com mais de 65 milhões de pessoas nas ruas, esse número representa um crescimento de 22% em comparação ao ano anterior, sinalizando que não estamos falando apenas de celebração, mas também de geração de renda e criação de empregos.
Dados do Ministério do Turismo, coletados pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e pela FecomercioSP, revelam uma movimentação financeira impressionante durante o Carnaval, que superou R$ 18,6 bilhões. Este montante é 10% maior do que o registrado no evento do ano anterior, marcando o maior volume financeiro para o mês de fevereiro desde 2011. Em São Paulo, a festa atraiu 16,5 milhões de foliões e gerou um impacto econômico superior a R$ 7 bilhões. Já no Rio de Janeiro, cerca de 8 milhões de participantes contribuíram com R$ 5,7 bilhões, alcançando uma ocupação hoteleira de 98%. No tradicional polo de Recife e Olinda, mais de 7,6 milhões de pessoas movimentaram R$ 3,2 bilhões, enquanto Salvador viu 8 milhões de foliões injetarem R$ 2 bilhões na economia local.
Reflexos na Economia Local e Nacional
Os efeitos do Carnaval são visíveis em diversos setores da economia. Hotéis lotados, bares e restaurantes com alta demanda, transporte em movimento constante e comércio aquecido são apenas alguns exemplos. Os artistas que se apresentam são a face mais visível desse complexo fenômeno, mas essa festa envolve uma vasta rede de atividades econômicas. O setor de eventos impacta até 52 segmentos diferentes, desde pequenos empreendedores até grandes infraestruturas de shows.
Relatórios da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE) corroboram com essa análise. Em 2025, o setor de eventos gerou 20.213 novos empregos formais, atingindo um total de 202.393 vagas, o que representa um impressionante crescimento de 81,7% em comparação a 2019. Esse percentual é superior ao de setores como construção, comércio e serviços. Dentro desse hub setorial, o estoque de trabalhadores chegou a 4,27 milhões, enquanto o consumo ligado a atividades de lazer alcançou R$ 140,9 bilhões no ano passado.
A Retomada do Setor de Eventos
Esse desempenho não é mera coincidência. Após a pandemia, o setor de eventos foi um dos mais afetados, enfrentando a paralisação total de suas atividades. Para ajudar na recuperação, o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE) foi implementado, oferecendo segurança jurídica e alívio tributário às empresas do setor. Esse programa estabeleceu benefícios fiscais e condições especiais para a regularização de débitos, permitindo que as empresas negociassem passivos acumulados durante a crise e recuperassem sua capacidade de investimento.
O PERSE também impulsionou a formalização das relações de trabalho, fortaleceu a governança das companhias e trouxe previsibilidade a um setor que, historicamente, sempre enfrentou desafios relacionados à informalidade. Os resultados são evidentes nos dados oficiais de emprego e consumo, que hoje refletem um setor mais estruturado, competitivo e melhor integrado à economia nacional.
Uma Nova Perspectiva: Investir em Cultura e Entretenimento
O crescimento do setor de eventos, especialmente evidenciado pelo Carnaval, reforça a ideia de que investir em cultura e entretenimento não é apenas um gasto, mas uma estratégia de desenvolvimento. Cada evento realizado no Brasil não só amplia oportunidades, como também gera renda e fortalece cadeias produtivas inteiras. A conclusão é clara: todos saem ganhando.
Doreni Caramori Júnior, empresário e presidente da ABRAPE, ressalta a importância desse cenário para o futuro do setor.
Sobre a ABRAPE
A Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), estabelecida em 1992, visa promover o desenvolvimento e a valorização das empresas do setor de eventos culturais e de entretenimento no Brasil. Com mais de 850 associados em todos os estados, a ABRAPE desempenha um papel fundamental na representação do PIB dos eventos no país. Durante a pandemia, a associação foi pioneira na implementação do PERSE, considerado o maior programa de transação fiscal da história brasileira e fundamental para a desoneração fiscal após a implementação do Simples Nacional.

