Relação Comercial em Alta
O comércio entre Brasil e China alcançou um marco significativo, superando a marca de US$ 170 bilhões, mais que o dobro do que o país negocia com os Estados Unidos. Os dados constam do mais recente relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), que destaca um aumento nas exportações brasileiras, especialmente de soja, que representa mais de um terço do total exportado para o país asiático. As exportações para a China totalizaram cerca de US$ 100 bilhões, o segundo maior valor em 29 anos de registros, iniciados em 1997.
Este crescimento vem em um contexto de tensões comerciais globais, onde o governo dos EUA impôs tarifas elevadas a vários países, incluindo o Brasil. Em função disso, o país viu uma diminuição nas exportações para os EUA, levando a uma estratégia de diversificação de mercados. Existem relatos de que a China até interrompeu temporariamente a compra de soja americana como resposta às tarifas de Donald Trump.
Desafios nas Relações com os EUA
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) aponta que atualmente cerca de 22% das exportações brasileiras para os EUA, totalizando aproximadamente US$ 8,9 bilhões, ainda estão sujeitas às tarifas impostas no ano anterior. Tulio Cariello, diretor de conteúdo do CEBC, expressou que o último ano foi tumultuado para a relação comercial entre Brasil e EUA. Ele explica que as sobretaxas ampliaram o déficit brasileiro nessa relação, já que poucos produtos conseguiram compensar a perda de competitividade no mercado norte-americano.
As exportações brasileiras para os EUA diminuíram de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025, representando uma queda de 6,6%, ou US$ 2,65 bilhões, conforme dados do Mdic. Embora haja uma certa reorientação nas exportações, como o aumento das vendas de café para a China, as diferenças nas pautas comerciais limitam a capacidade do Brasil de compensar as perdas no mercado americano.
Crescimento das Importações e a Diversificação de Mercados
Além do crescimento nas exportações, as importações do Brasil da China também registraram um aumento significativo, alcançando US$ 70,9 bilhões, um crescimento de 11,5% em relação ao ano anterior, atingindo o maior valor já registrado. Este aumento é impulsionado pela aquisição de um navio-plataforma para exploração de petróleo, além de carros elétricos híbridos, fertilizantes e produtos químicos. As importações de medicamentos e insumos farmacêuticos também cresceram, levando a China a se tornar o quarto maior fornecedor do Brasil nesse segmento.
A China no Comércio Exterior Brasileiro
Com um crescimento significativo em sua participação, a China agora representa 27,2% do comércio exterior brasileiro, que em 2024 totalizou US$ 629 bilhões, um aumento de 4,9%. Apesar de ainda ser o principal destino das exportações brasileiras, outros mercados, como Argentina e Índia, mostraram um crescimento mais acelerado, com aumentos de 31,4% e 30,2%, respectivamente. Enquanto isso, as compras dos EUA diminuíram em 6,6%, e de outros parceiros tradicionais, como a Espanha e os Países Baixos, também foram negativas.
Para Cariello, a diversificação de mercados é um passo positivo que o Brasil está tomando para reduzir sua dependência da China. A crescente classe média e a demanda por alimentos em países do Sudeste Asiático devem, nas próximas décadas, reforçar a orientação do comércio brasileiro para esse eixo. Essa mudança de foco pode trazer novas oportunidades e fortalecer a posição do Brasil no cenário econômico global.

