Investigação da Operação Compliance Zero
As recentes investigações da Polícia Federal em torno do Banco Master e sua liquidação, determinada pelo Banco Central do Brasil, trouxeram à tona um nome proeminente do setor financeiro nacional: Daniel Vorcaro, fundador e CEO da instituição. Na manhã de 14 de janeiro, a Polícia Federal iniciou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que foca as atividades do banco, resultando em buscas em residências vinculadas a Vorcaro e seus familiares. Os alvos também incluem figuras como o empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, João Carlos Mansur.
As operações ocorreram sob a ordem do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), abrangendo 42 locais em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Além disso, foram bloqueados bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões. Inicialmente, Toffoli havia estipulado que o material coletado pelos agentes da PF fosse mantido em sigilo na sede do STF, decisão que, após solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR), foi revertida para que a PGR assumisse a custódia.
A defesa de Vorcaro destacou que ele tem colaborado integralmente com as autoridades e que todas as determinações judiciais serão cumpridas com total transparência. Em contrapartida, o advogado de João Carlos Mansur expressou a preocupação da defesa, que ainda não teve acesso aos detalhes da investigação, mas se coloca à disposição para quaisquer esclarecimentos. A equipe de Tanure, por sua vez, enfatizou a longa trajetória profissional do empresário, afirmando que não possui vínculos societários com o Banco Master.
O Impacto da Liquidação do Banco
A liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025, tem sido considerada por especialistas como um dos maiores desafios para o sistema financeiro brasileiro. Com ativos de R$ 63 bilhões, o Master era classificado como o 22º maior banco do Brasil, representando 2% do tamanho do Itaú Unibanco, o maior do país. Ao longo de sua trajetória, o banco foi alvo de acusações de fraudes na venda de carteiras de crédito para o Banco de Brasília (BRB), totalizando R$ 12,2 bilhões, o que culminou na primeira fase da Operação Compliance Zero.
O impacto da quebra do Master é reforçado pelo risco que representa ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma instituição que atua como uma espécie de segurança financeira para os depositantes. O caso é amplamente discutido, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chamando a situação de uma possível “maior fraude bancária” na história do Brasil.
As Conexões Políticas e Jurídicas
As conexões de Vorcaro com figuras do cenário político e jurídico brasileiro têm gerado preocupações. Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil e presidente nacional do PP, e Antonio Rueda, presidente do União Brasil, teriam atuado como intermediários entre Vorcaro e o governo, especialmente em tentativas de negociação para a venda do Banco Master ao BRB, um negócio que foi barrado pelo Banco Central.
Além disso, nomes como Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF, e Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, também estão associados ao empresário. Lewandowski, que já foi cliente do Banco Master, e Mantega, que atuou como consultor, indicam as diversas ligações de Vorcaro com o alto escalão da política. O ex-presidente Michel Temer também esteve envolvido, atuando como mediador em negociações relacionadas à venda do banco.
As doações eleitorais realizadas pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, também levantam questões sobre as ligações políticas, com contribuições significativas às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Zettel foi o maior doador pessoa física durante as últimas eleições, transferindo R$ 5 milhões para as campanhas mencionadas.
O Papel de Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro, natural de Belo Horizonte e com 42 anos, emergiu como uma figura proeminente no cenário financeiro brasileiro, após assumir o controle do Banco Maxima, que então rebatizou como Banco Master. Ele implementou uma estratégia ousada de negócios, que consistia em oferecer CDBs com taxas de juros superiores às médias do mercado, o que o ajudou a ganhar destaque na região financeira da Faria Lima, em São Paulo. Vorcaro se destacou não apenas por sua abordagem comercial, mas também por seus gastos extravagantes e estilo de vida luxuoso.
Com diversas conexões políticas, sua trajetória foi marcada por controvérsias. Ele afirmou ser alvo de preconceito por sua origem fora do mercado financeiro tradicional e, nos últimos anos, se tornou conhecido por grandes gastos, como a festa de debutante de sua filha, que custou R$ 15 milhões e contou com a presença de DJs renomados. Além disso, o Banco Master patrocinou camarotes de alto custo durante o Carnaval.
A situação envolvendo Vorcaro e o Banco Master continua a se desdobrar, com a investigação em andamento. Especialistas e autoridades monitoram de perto as implicações para o sistema financeiro nacional e as relações entre o setor público e privado, em um contexto onde a transparência e a responsabilidade são mais necessárias do que nunca.

