Explorando a História de Curaçao no Futebol Mundial
A seleção de Curaçao abre a série do GLOBO que destaca histórias que irão marcar a Copa do Mundo de 2026. A proposta é analisar seleções pouco expressivas no futebol, mas ricas em narrativas sociais, políticas e culturais. Nos próximos dias, o foco se ampliará para outros países como Uzbequistão, Irã e Panamá.
A trajetória de Curaçao no futebol é marcada pela colonização holandesa. O país já competiu como Território de Curaçao entre as décadas de 1930 e 1950, e fez parte da seleção das Antilhas Holandesas entre 1962 e 2010. Com a dissolução das Antilhas em 2010, surgiram Curaçao e São Martinho, que conquistaram o status de países, embora ainda façam parte do Reino da Holanda.
Essa fragmentação afetou a capacidade esportiva da ilha. No entanto, a evolução do futebol curaçauense foi acelerada. As Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014 marcaram o início de uma nova era para o país. Durante a campanha para o Catar 2022, a equipe apresentou um desempenho competitivo diante do Panamá, mas não conseguiu avançar. Em contrapartida, em 2017, Curaçao fez história ao se classificar pela primeira vez para a Copa Ouro da Concacaf e chegou às quartas de final em 2019, além de conquistar a Copa do Caribe ao vencer a Jamaica.
Desafios e Conquistas da Onda Azul
Com a Copa do Mundo aumentando para 48 seleções e com Estados Unidos, Canadá e México já garantidos como anfitriões, a chance de Curaçao brilhar no maior torneio de futebol do mundo se torna mais viável. Sob o comando de Dick Advocaat, um veterano treinador, a equipe teve um desempenho impressionante, liderando o Grupo B na terceira fase das Eliminatórias da Concacaf, sem derrotas e classificando-se à frente da Jamaica, que precisou ir à repescagem.
A Advocaat, aos 78 anos, pode se tornar o treinador mais velho a comandar uma seleção em um Mundial, marcando um feito histórico não apenas para ele, mas também para o futebol curaçauense.
Busca de Talentos e a Influência da Emigração
Apesar do beisebol e do turismo aquático dominarem Curaçao, o futebol está ganhando destaque, especialmente na busca por talentos na diáspora. A federação de futebol do país, sob a liderança do presidente Gilbert Martina, tem se empenhado em recrutar jogadores com raízes em Curaçao que residem na Holanda. Essa estratégia foi intensificada durante o período em que o icônico atacante Patrick Kluivert, filho de uma curaçauense, foi técnico entre 2015 e 2016.
Entre 1985 e 2000, muitos curaçauenses emigraram para a Holanda, principalmente após o fechamento da refinaria que gerou uma crise econômica no país. Atualmente, muitos descendentes têm optado por representar a seleção de sua terra natal. Um exemplo é Rangelo Janga, o maior artilheiro da história da seleção, que nasceu em Roterdã. Os irmãos Bacuna, também representações da nova geração, possuem trajetórias de vida e carreira que refletem essa conexão.
O Orgulho Cultural e Linguístico de Curaçao
O papiamento, a língua nativa de Curaçao, carrega influências do português e do espanhol e divide espaço com o holandês. Esse aspecto cultural é uma fonte de orgulho para o meia-atacante Tahith Chong, que, nascido em Willemstad e revelado pelo Manchester United, espera levar essa identidade para os gramados internacionais. Em setembro deste ano, Chong teve a oportunidade de fazer sua estreia pela seleção curaçauense, uma experiência que ele compartilhou com seus seguidores em um vídeo em papiamento.

