Ministro sul-coreano destaca impacto limitado das tarifas
Nesta quinta-feira (30), em Busan, o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping ganha destaque no cenário econômico global. A Coreia do Sul, um importante player no mercado de tecnologia, busca negociar condições favoráveis em relação às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre chips importados. Em um comunicado recente, um porta-voz do governo sul-coreano ressaltou que o país não deve ser tratado de forma desfavorável em comparação com concorrentes, conforme acordado em um pacto comercial anterior.
Em um pronunciamento realizado no último sábado (17), o ministro do Comércio da Coreia do Sul afirmou que as tarifas impostas pelos EUA sobre chips avançados de computação terão um efeito limitado sobre as empresas do país. Vale ressaltar que a Samsung Electronics e a SK Hynix, gigantes da indústria de semicondutores, estão entre os maiores fabricantes de chips de memória no mundo, o que torna a questão das tarifas um ponto crucial para a economia sul-coreana.
No contexto do acordo comercial estabelecido entre as nações em outubro de 2025, Trump anunciou que os dois países haviam alcançado um consenso, o que gerou otimismo nos mercados financeiros, refletindo na valorização do won em relação ao dólar. A redução das incertezas que afetam a economia sul-coreana, que se mostra altamente dependente do comércio exterior, foi um dos fatores que motivou essa valorização.
“Conseguimos, conseguimos. Chegamos a um acordo”, declarou Trump ao ser questionado sobre a finalização das negociações em um jantar promovido pelo presidente sul-coreano, Lee Jae Myung. Ele destacou que o pacto estava “praticamente concluído”, sinalizando um avanço significativo nas relações comerciais entre os dois países.
Detalhes do acordo comercial
De acordo com Kim Yong-beom, assessor do presidente sul-coreano, o acordo aborda tarifas sobre automóveis e inclui compromissos de investimento da Coreia do Sul nos Estados Unidos. Um dos principais pontos do pacto é a redução das tarifas de importação de automóveis para 15%, favorecendo as montadoras sul-coreanas em comparação com as japonesas, que, após um acordo anterior com os EUA, pagam 15% de tarifa.
O pacote de acordos também contempla um investimento significativo de US$ 350 bilhões por parte da Coreia do Sul nos EUA, sendo US$ 200 bilhões destinados a investimentos diretos e US$ 150 bilhões para cooperação no setor de construção naval. Sem esse acordo, as montadoras e siderúrgicas sul-coreanas estariam sujeitas a tarifas de 25%, criando desvantagens competitivas em relação a seus concorrentes.
A cúpula entre Trump e Lee Jae Myung faz parte de uma viagem mais ampla do presidente americano por três países da Ásia, que começou na Malásia, onde ele participou de uma reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Desafios nas negociações financeiras
Apesar dos avanços nas negociações, autoridades sul-coreanas expressaram que ainda existem divergências significativas entre os dois países, especialmente em relação à parte financeira do pacote de investimentos de US$ 350 bilhões. Seul busca ajustar o montante ao aumentar a proporção de empréstimos e garantias, o que pode influenciar os termos finais do acordo.
O cenário econômico entre Coreia do Sul e Estados Unidos continua a evoluir, com ambos os lados tentando garantir condições favoráveis que possam impactar positivamente suas economias. As discussões em curso são um reflexo das complexas relações comerciais globais, que exigem constante adaptação e negociações para atender às demandas de um mercado em transformação.

