Um Marco na Preservação Cultural
Na próxima sexta-feira, 13 de março, às 10h, o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan), realizará um evento simbólico que marcará a formalização do Termo de Cessão de Uso de uma área dentro do jardim do Museu da República, que está vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Essa ação visa expandir a reserva técnica do Museu de Folclore Edison Carneiro. Além disso, será inaugurado um mural em homenagem a Edison Carneiro, desenvolvido pelo Projeto NegroMuro, no terraço do CNFCP.
A conquista é um passo significativo para o Museu de Folclore, que faz parte do CNFCP e, neste ano, comemora 58 anos dedicados à preservação e à divulgação de um acervo inigualável das manifestações culturais populares brasileiras. Atualmente, o museu é o guardião da maior coleção de cultura popular do país, com um total de mais de 20 mil itens que refletem a rica diversidade cultural nacional.
A Importância da Cooperação Institucional
A presidenta do Ibram, Fernanda Castro, enfatizou o papel fundamental da colaboração institucional na realização desse projeto. Para ela, a cessão de uma área do Museu da República para a criação da nova reserva técnica representa uma articulação concreta entre diferentes instituições culturais federais. “Com isso, o Museu da República contribui diretamente para o fortalecimento das condições de salvaguarda de um dos acervos mais significativos de cultura popular do país”, afirmou. Essa iniciativa é um reflexo do compromisso do Estado brasileiro em proteger a memória e a identidade cultural do seu povo.
O presidente do Iphan, Leandro Grass, também destacou a relevância da nova estrutura para o futuro da coleção. Ele ressaltou que a nova reserva técnica proporcionará condições ideais para a conservação, pesquisa e divulgação dos acervos do Museu de Folclore. “Essa iniciativa reafirma o compromisso do Iphan com a proteção das expressões culturais que definem a identidade do nosso povo”, disse Grass. Dessa forma, não apenas a integridade física dos bens culturais será garantida, mas também a continuidade das memórias e tradições que promovem a diversidade cultural do Brasil.
Demandas Históricas e Crescimento Contínuo
Rafael Barros Gomes, diretor do CNFCP, considerou a ampliação do espaço uma demanda histórica e essencial. Segundo ele, o Museu de Folclore possui a maior reserva de cultura popular do Brasil, com 20 mil itens significativos que vão muito além das artes populares. “Esses objetos são fundamentais para entender a diversidade da cultura popular brasileira, com elementos que representam ritos e modos de expressão”, enfatizou. Ele também lembrou que há cerca de 30 anos o acervo já ocupava um espaço insuficiente para sua quantidade e importância.
A formalização da cessão de uma faixa de terreno no jardim do Museu da República é vista como um avanço importante. “Trata-se de um ganho significativo para atender a essa demanda histórica, reposicionando o Museu de Folclore e seu acervo, que é um patrimônio de todos os brasileiros”, completou Rafael. Ele também elogiou a parceria com o Ibram e o Museu da República, que reflete um compromisso contínuo com a valorização das culturas populares.
Desafios e Oportunidades para a Preservação
Elizabeth Pougy, chefe do Museu de Folclore Edison Carneiro, ressaltou os desafios técnicos que envolvem a preservação de um acervo tão vasto. “Nosso acervo, que supera os 20 mil itens, é composto por objetos de diversos materiais, como barro, madeira e instrumentos musicais. Hoje, apenas uma fração da coleção está acessível ao público, enquanto cerca de 90% permanece armazenada em reserva técnica”, explicou Elizabeth.
Por ser um acervo em constante crescimento, a preocupação com a guarda adequada dos itens é constante. “É imprescindível que a nova reserva técnica seja um espaço que atenda às necessidades físicas e climáticas da preservação desses objetos, muitos dos quais são feitos de materiais frágeis”, detalhou. O espaço atual, criado em 1980 e ampliado em 1987, já não oferece condições adequadas para a conservação.
Inspiração e Homenagem ao Legado de Edison Carneiro
A programação do dia incluirá a inauguração de um mural em homenagem a Edison Carneiro, elaborado pelo Projeto NegroMuro. Pedro Rajão, representante do projeto, destacou o significado de homenagear alguém tão influente no museu que leva seu nome. “Reconhecer Edison Carneiro em um espaço que dialoga com sua trajetória é crucial para o projeto NegroMuro, que se propõe a conectar a memória de personagens históricos negros a seus contextos”, explicou.
Desde 2018, o Projeto NegroMuro se dedica a registrar a memória negra por meio da arte urbana, retratando figuras históricas em muros públicos. “A obra no Museu da Cultura Popular representa uma grande afirmação de que nosso trabalho é popular e deve ser exposto em instituições de memória”, concluiu Rajão.
O evento será realizado no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan), localizado na Rua do Catete, 179 – Catete, Rio de Janeiro (RJ), e a entrada é gratuita.

