Desempenho Industrial Preocupa para 2026
No último mês de 2025, a produção industrial sofreu uma queda de 1,2%, reforçando a tendência de desaceleração que o setor já vinha apresentando desde setembro. Esse resultado representa a maior retração desde julho de 2024, quando a produção caiu 1,5%. Além disso, foi a mais significativa queda para meses de dezembro desde 2019, quando o recuo foi de 1,4%, conforme dados divulgados pelo instituto responsável.
O que podemos esperar da indústria no ano de 2026?
Para analistas do setor, o desempenho negativo registrado em dezembro serve como um sinal de alerta para o futuro da indústria. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estima que o setor apresente um crescimento modesto de 0,6% neste ano, o que deve ocorrer devido à manutenção da política monetária restritiva que o Banco Central está sinalizando, apesar de um possível início da flexibilização em março.
A Fiesp também acredita que algumas ações governamentais têm o potencial de suavizar a desaceleração já observada. Entre essas medidas, destacam-se a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil, a ampliação do programa Minha Casa Minha Vida, a iniciativa Reforma Brasil, mudanças nas regras do crédito imobiliário e a aceleração das concessões de crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
Segundo a Fiesp, essas ações podem movimentar cerca de R$ 212 bilhões, o que poderia estimular a demanda por produtos industriais.
Desafios da Indústria: Juros Altos e Tarifas
André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, destaca que os dados anuais refletem claramente uma perda de ritmo na atividade industrial. No primeiro semestre de 2025, o setor chegou a crescer 1,2%, mas no segundo semestre, sua produção estagnou.
Macedo aponta que esse desempenho aquém do esperado é, em grande parte, resultado do alto custo do crédito. A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, alcançou seu maior nível desde 2006, o que desmotiva o consumo e leva as empresas a conterem sua produção e planos de expansão.
— O menor dinamismo que estamos observando está intimamente relacionado à política monetária mais restritiva, que é marcada pelo aumento da taxa de juros, impactando as decisões de investimento das empresas e o consumo das famílias, afirma Macedo.
Além da política monetária, o conhecido tarifaço imposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também teve efeitos negativos na indústria brasileira, segundo a Fiesp. A entidade informou que as exportações do setor de transformação para os EUA caíram 8,6% no segundo semestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior, coincidindo com o ápice das tarifas.
Setores em Alta e em Baixa
Embora a extração de petróleo tenha mostrado um crescimento significativo, a indústria de transformação ainda enfrenta desafios. Dentre os quatro grandes grupos analisados pelo IBGE, dois apresentaram resultados positivos no ano passado. Os bens de consumo duráveis, que incluem itens como carros e eletrodomésticos, avançaram 2,5%, enquanto os bens intermediários, que representam insumos essenciais para a indústria, como aço e papel, tiveram alta de 1,5%.
No entanto, setores essenciais para o cotidiano das famílias e investimentos corporativos enfrentam retrações. A produção de bens de consumo semi e não duráveis, englobando alimentos e produtos de higiene, caiu 1,7%, enquanto a produção de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos, encolheu 1,5%.
Dos 25 ramos da indústria acompanhados pelo IBGE, 15 apresentaram crescimento. As maiores altas foram impulsionadas pela indústria extrativa, que teve um aumento de 4,9% na produção de petróleo e minério, além do setor de alimentos, que avançou 1,5%.
Por outro lado, dez atividades enfrentaram quedas, sendo o segmento de refino de petróleo e produção de combustíveis e biocombustíveis o mais afetado, com uma queda de 5,3%. Esse resultado evidencia uma desconexão na cadeia produtiva do petróleo: enquanto a extração cresce, a atividade de refino e transformação em combustíveis enfrenta dificuldades ao longo do ano passado.

