Debates sobre Soluções e Desafios do Rio: Uma Iniciativa Crucial para o Futuro
O RioAgora.Org, um grupo que se apresenta como apartidário e sem fins lucrativos, deu início a uma série de debates públicos na segunda-feira, buscando estimular discussões propositivas sobre o Rio de Janeiro. O objetivo é promover diálogos que possam resultar em sugestões concretas a serem apresentadas aos candidatos antes da entrega dos planos de governo, prevista para o início de agosto no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
O economista Guilherme Coelho, um dos fundadores do RioAgora.Org, enfatizou a importância de apresentar propostas aos candidatos ao governo e à Assembleia Legislativa do Rio até o final de julho. Após isso, haverá uma segunda fase, onde as propostas serão desdobradas em objetivos e resultados-chave. Segundo Coelho, “a gente quer dar essas propostas para os candidatos ao governo do estado e ao Legislativo pelo Rio até o final de julho”.
O evento inaugural ocorreu no auditório do Palácio Capanema, localizado no Centro do Rio de Janeiro. A primeira edição contou com a presença de especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil, todos reunidos para debater os desafios e as oportunidades para o fortalecimento da educação no estado. Ao todo, estão programados mais nove encontros, abordando temas diversos como segurança pública, meio ambiente, turismo, transporte e cultura.
A proposta do RioAgora.Org é integrar as transcrições dessas reuniões com análises antecedentes sobre o estado, incluindo planos estratégicos elaborados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com Coelho, essa compilação servirá de base para uma consulta que utilizará inteligência artificial, facilitando o acesso às informações desejadas.
O economista destaca: “O objetivo é transformar, nos próximos dez anos, o estado do Rio de Janeiro em um local mais dinâmico, com maior crescimento econômico, melhor distribuição de renda e um serviço público mais competente do país”.
Na abertura do evento, participaram nomes como o economista Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco; Anna Backheuser, presidente do conselho do Instituto João e Maria Backheuser; Antoine Lousao, subsecretário-executivo da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro; e Julia Sant’Anna, diretora-executiva do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB).
Os especialistas presentes no encontro concordaram que a educação no estado fluminense precisa se concentrar em “fazer o básico bem feito”, conforme destacou Backheuser. Isso envolve, segundo eles, estabelecer parcerias com os municípios para melhorar a alfabetização das crianças, uma estratégia que já transformou a educação do Ceará em uma referência nacional, além de aumentar o número de alunos em escolas de tempo integral, aquelas que oferecem mais de sete horas de aula por dia.
“O Rio abriu mão de investir em educação na última década”, afirmou o economista Ricardo Henriques, ressaltando a necessidade urgente de melhorias no setor.
Caminhos para o Próximo Governador do Rio
Quando se fala em aprendizado, o estado do Rio ocupa atualmente a penúltima posição no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), um indicador de qualidade na educação, especialmente no ensino médio. Além disso, o governo optou por permitir que alunos reprovados em até seis disciplinas consigam passar de ano, uma medida que gera controvérsias entre educadores e especialistas.
Em termos de financiamento, o Rio de Janeiro, que possui o segundo maior PIB do Brasil, investe anualmente R$ 14,2 mil por aluno, um valor inferior ao de estados como o Espírito Santo, que investe R$ 16,6 mil. Para piorar, o estado é o único que não implementou o ICMS Educacional, uma política fiscal que poderia garantir cerca de R$ 100 milhões anuais vindos do Ministério da Educação (MEC).
Sobre o ensino em tempo integral, em 2014, o Rio tinha a maior taxa (18%) de escolas com matrículas em tempo integral na região Sudeste. No entanto, em dez anos, essa taxa reverteu, e hoje o estado possui a menor, com apenas 47%. Em contraste, o Espírito Santo passou de 3% para 55%, São Paulo de 10% para 58% e Minas Gerais de 15% para 59%.
Esses dados evidenciam a necessidade de uma reformulação urgente nas políticas educacionais e de investimentos no Rio de Janeiro, que enfrenta desafios significativos em diversas áreas.

