Interesses em Jogo no Cenário Político do Rio de Janeiro
No cenário político atual do Rio de Janeiro, a disputa pelo mandato interino da governança estadual se intensifica, revelando interesses contraditórios entre figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Recentemente, o Palácio do Planalto sinalizou um forte apoio à candidatura de André Ceciliano (PT), ex-presidente da Alerj e atual secretário de assuntos legislativos no Ministério das Relações Institucionais. Ceciliano busca consolidar sua posição, enquanto Flávio Bolsonaro, que se apresenta como pré-candidato à presidência, busca um forte palanque eleitoral no estado.
O deputado estadual licenciado Douglas Ruas, que também é secretário das Cidades de Cláudio Castro e filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), aparece como o principal nome que Flávio deseja apoiar para o cargo interino. Desde a semana passada, a candidatura de Ceciliano tem ganhado destaque na Alerj, contando com o suporte de Rodrigo Bacellar (União) e de influentes ex-governadores como Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão (MDB).
Pezão, atual prefeito de Piraí, relatou ao presidente Lula a força que Ceciliano possui na Alerj, onde ele acredita ter entre 25 e 29 votos dos 70 disponíveis. Essa conta inclui aliados do Centrão fluminense e de setores da esquerda, descontentes com as recentes aproximações de Paes com a direita.
A Reação de Lula e a Desconfiança em Relação a Paes
A irritação de Lula em relação ao vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) aumentou após este ter criticado os discursos do presidente sobre segurança pública, chamando-os de “lero-lero”. Essa situação foi pauta de um encontro entre Lula e o prefeito Eduardo Paes, que prometeu lealdade ao presidente nas eleições. Entretanto, o PT permanece cético em relação a essa promessa, preocupado com uma possível traição de Paes, especialmente se candidatos como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ratinho Jr. (PSD) se movimentarem para a corrida presidencial.
A candidatura de Ceciliano, nesse contexto, se transforma na alternativa do Planalto. Se eleito para o governo de forma interina, ele teria a possibilidade de se candidatar à reeleição em outubro. Contudo, Lula enfrenta um desafio, dado que sua estratégia pode sofrer com eventuais deserções dentro da própria esquerda. Dois dos seis deputados petistas na Alerj são aliados de Washington Quaquá, um rival de Ceciliano que mantém laços com Paes.
Os Bastidores da Disputa pelo Mandato Interino
Paes, ciente de sua fragilidade na Alerj, onde o PSD conta com apenas seis parlamentares, tem se esforçado para barrar a candidatura de Douglas Ruas ao mandato interino. Em reuniões com o deputado federal Altinêu Cortes, que é próximo a Ruas, Paes sugeriu que o filho do prefeito de São Gonçalo poderia ser o presidente da Assembleia a partir de 2027, desde que não concorresse ao Palácio Guanabara.
Enquanto isso, a influência de Bacellar sobre a federação União Brasil e PP está sob análise. Flávio Bolsonaro já se comprometeu a atuar com os presidentes nacionais dos partidos para assegurar a eleição de seu candidato ao governo interino. Ele expressou preferência pelo ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), embora a possibilidade de sua candidatura esteja ameaçada por questões judiciais.
Cláudio Castro, por outro lado, não desistiu de viabilizar a candidatura de Nicola Miccione na votação indireta, argumentando a necessidade de um quadro técnico à frente da administração do estado, especialmente diante dos desafios fiscais que se aproximam. A previsão do orçamento para este ano indica um déficit de R$ 18,9 bilhões, contrastando com o cenário mais favorável durante sua campanha em 2022.
Um Futuro Incerto para a Política Fluminense
A possibilidade de uma eleição indireta se desenhou no último ano, quando Thiago Pampolha foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas, resultando em mudanças significativas nas expectativas políticas. A intenção de Bacellar de suceder Castro foi desfeita após o rompimento entre eles, levando à prisão de Bacellar e influenciando a dinâmica política no estado.
Com a aproximação das eleições, a situação se torna cada vez mais volátil. A partir da renúncia de Castro, o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, deverá liderar a convocação das eleições indiretas, onde os nomes dos candidatos e vices devem ser registrados. A tensão entre os partidos e as alianças que estão sendo formadas promete moldar o futuro político do Rio de Janeiro nos próximos meses.

