Análise do percurso político de Douglas Ruas
No centro do cenário político fluminense, Douglas Ruas, com forte ligação em São Gonçalo, tem se destacado entre as promessas de governo no Rio de Janeiro. Desde 2020, ele ocupou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais, um cargo estratégico que lhe permitiu manejar convênios que justificaram a alocação de consideráveis recursos oriundos dos governos federal e estadual na cidade. Em um período em que São Gonçalo se tornou um dos municípios que mais recebeu fundos do orçamento secreto, somando R$ 250,5 milhões, a figura de Ruas foi central para a viabilização dessa verba. O destaque na área de pavimentação, que recebeu R$ 17,2 milhões somente através de indicações do deputado federal Altineu Côrtes, aliado e mentor político de Ruas, intensifica a análise sobre sua candidatura ao governo estadual.
Com as eleições de 2022, Ruas conquistou sua cadeira como deputado estadual em um cenário onde sua cidade natal ocupava o quinto lugar no ranking nacional de recebimento das chamadas emendas de relator, recurso que foi posteriormente extinto pelo Supremo Tribunal Federal. Esse contexto leva a uma reflexão sobre o poder que sua candidatura pode conferir a Altineu, que é visto como uma figura proeminente dentro do PL (Partido Liberal) no estado.
Um passado familiar controverso
O pai de Douglas, o Capitão Nelson Ruas, é uma figura bastante conhecida em São Gonçalo, tanto por sua carreira na Polícia Militar quanto por sua atuação política. Conhecido por ter recebido a antiga “gratificação faroeste”, criada em 1995 para recompensar a produtividade policial, Nelson fez parte de uma patrulha de alta letalidade durante seu tempo na força. Sua trajetória política também é marcada por sucessos, como a reeleição à prefeitura em 2024, após um governo que usou as obras na cidade como vitrine de sua gestão. As seguidas vitórias familiares trazem à tona a complexidade que envolve a candidatura de Douglas, que pode ser considerada uma continuação do legado de seu pai.
Reservadamente, alguns parlamentares comentam sobre como a candidatura de Ruas pode ser vista como uma concessão excessiva de poder a Altineu Côrtes. Em meio a esse cenário, o atual governador, Castro, já anunciou que não apoiará Ruas, preferindo o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, como seu candidato. Por outro lado, Flávio Bolsonaro, senador influente, também mantém suas opções em aberto.
A trajetória de Douglas na segurança pública
Em 2013, Douglas se tornou inspetor concursado da Polícia Civil, um trunfo que, embora não possua um currículo operacional tão robusto quanto o de seu pai, lhe garante apoio dentro do PL, especialmente em uma eleição focada em segurança pública. Ele se licenciou da polícia em 2019 e assumiu uma superintendência no Instituto Estadual do Ambiente, por influência de Altineu.
Entretanto, o histórico tumultuado da família com a polícia, incluindo investigações e casos de polêmicas envolvendo seu pai, não passa despercebido. O Capitão Nelson foi alvo de um inquérito em 2008, sendo mencionado na CPI das Milícias. Em 2024, ele teve que apresentar à Justiça Eleitoral uma certidão demonstrando que as acusações haviam sido arquivadas sem consequências. Além de seu histórico na polícia, Nelson foi designado, em 2002, para fazer a escolta da juíza Patrícia Acioli, que ficou conhecida por condenar policiais associados a grupos de extermínio.
Histórias familiares e desafios políticos
Os filhos de Nelson, Douglas e Nelsinho, cresceram acompanhando o pai em seus compromissos políticos. Nelsinho, que foi reeleito vereador em 2024, também possui seus desafios pessoais. Em dezembro do ano passado, ele se envolveu em um incidente de briga de trânsito que resultou em disparos de arma de fogo, evidenciando o ambiente conturbado que a família enfrenta. O caso está sob investigação e, embora tenha gerado controvérsias, não parece afetar diretamente a imagem de Douglas no cenário eleitoral.
Em meio a essa teia de vínculos e histórias, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, prepara sua própria candidatura ao governo e tenta persuadir o PL a não avançar com a de Douglas, que é visto como um forte concorrente. Há também conversa sobre a possibilidade de Ruas assumir a presidência da Assembleia Legislativa do Rio, cargo que poderia ser um passo estratégico caso não opte por se candidatar ao governo estadual.

